quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Pedaços de Moderação


Pedaços de Moderação

Não é bom Proceder sem Refletir, e peca quem é precipitado.
Pv. 19, v. 2.
A moderação em tudo assegura o êxito, alivia a tensão e distribui a esperança. 

Mesmo que seja em frações, o ser moderado é paciente, e a sua elegância atinge a Fraternidade.
Quando falares a alguém, qualquer que seja o assunto, modera a voz, disciplina a emoção e educa os sentimentos, pois os impulsos da alma, quando não moderados, poderão arruinar muitas vidas, em poucos segundos.
Refletir, antes de conversar, é sinal de respeito aos demais, que só deverão ouvir aquilo que sai da nossa boca, depois de selecionado pelo bom senso.
A precipitação fermenta a inimizade, violenta os direitos alheios e magoa os corações.
Quem analisa, em segundos, o que vai falar, poderá livrar-se de complicações que, às vezes, durarão por anos consecutivos.
O procedimento nobre alegra, encoraja e estimula a viver, a quem quer que seja. 

Experimenta corrigir os teus defeitos mais graves e verás, em torno de ti, uma nova luz a fecundar a tua alma, e essa, a tornar-se um reino de paz.
A Moderação é a lâmpada primeira que deve clarear todos os nossos atos. 

E quem fugir das leis que presidem à vida, é claro, está procurando a morte.
“Gotas de Paz”
Carlos
João Nunes Maia

Passe e Preconceito


Passe e Preconceito

Seja autossugestão, pensamento positivo, psicoterapia ou outro qualquer nome que lhe queiram dar. 

Existe sempre o fato. 

Transfusões de energias vivas entre as criaturas, seja do homem para o homem ou do espírito ao homem e vice-versa, são mantidas diariamente.
 
Medicamentos funcionam, do exterior para o interior, da matéria para a alma. 

O passe age de dentro para fora, dos recessos do ser para as necessidades da carne. 

Atua os primeiros nos efeitos superficiais. 

Opera o segundo nas causas profundas.
Não é apenas na oportunidade de transmissão de um passe colhido através da prece que sobrevém a troca vital. 

Isso acontece, a cada passo, com todas as criaturas, em todos os setores de ação.
Onde convivam seres que se irmanem por aspirações e pensamentos do mesmo nível, a transfusão de forças surge espontânea. 

Profilaxia automática contra os mais diversos distúrbios do corpo e da mente.
A Harmonia entre as almas favorece o equilíbrio dos veículos em que se manifestam.
Sem dúvida alguma, até muitos céticos quanto ao Mundo Espiritual, processam a cura sem o perceberem, inconscientemente, pela simples presença, utilizados que são pelas Entidades Benfeitoras no socorro aos enfermos.
Por mais evolua a tecnologia facultando a mecanização da existência terrestre, o homem jamais deixará de se servir do próprio homem pela constante permuta fluídica a fim de sanar os males que o acometem.
Por mais descobertas hajam nas pesquisas médicas, não há, nem haverá máquina que substitua integralmente o dom de renovação sobre o sistema nervoso e, consequentemente, sobre todo o organismo, que as mãos podem ministrar quando em sintonia efetiva com os Poderes Maiores.
Não esqueçamos o valor incontestável do comprimido tranquilizante, da ampola medicamentosa ou da cirurgia na vida humana.

Nem por isso diminuímos a importância do passe em favor de todos.
Muito embora os convencionalismos sociais, certas leis humanas aqui ou além, e as incompreensões de institutos terrenos, a realidade do magnetismo pessoal tende sempre a ser mais aceita e mais aplicada.

Essa é a evolução fatal de todas as ocorrências que se vinculem à verdade.
Não tardará o dia em que se generalizará o mecanismo das transfusões de recursos vitalizantes de coração a coração e mente a mente, entre os encarnados.
Valorizemos o passe, esquecendo os preconceitos.
Não menospreza essa modalidade de tratamento, a mais antiga e mais razoável, mais barata e mais livre. 

Acima de tudo, a que mais resistirá pelo tempo afora por basear-se na essência mesma das necessidades espirituais.
Nesta época de usanças práticas tão complicadas e artificiais, urge não perder de vista o passe, tão simples e tão natural, que sempre renova, melhora, sustenta e cura. 
“Técnica de Viver”
Kelvin Van Dine
Waldo Vieira

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Para quem errou


Para  quem  errou
       Erraste e, agora, sentes o remorso corroer-te o coração, qual ácido inclemente.
       Te deixaste levar pela precipitação ou pela invigilância e lamentas as consequências do ano impensado.
       Realmente, a consciência lesada constitui uma grande fonte de dores.
       Entretanto, não te lamentes nem te entregues ao desânimo.
       No mundo e no Além todos erram.
       Aquele que pretende o progresso, porém, converte o fracasso em lição e segue adiante.
       Assim, não te perturbes mais pelo erro cometido.
       Apoia-te na fé em Deus e caminha para a frente, agindo no Bem.
       Usa a alavanca da vontade para remover o peso da culpa e renova-te por dentro.
       O Bem que faças hoje é água limpa a lavar os efeitos negativos dos teus enganos.
       A experiência é mestra e o tempo, amigo.
       Trabalha e confia.
       Ontem, talvez, a ignorância te impedisse de avançar para a paz, envolvendo-te nas sombras.
       Hoje, porém, é um novo dia, e o sol da esperança brilha no horizonte de tua vida, convidando-te ao progresso.
 “Novas mensagens de Scheilla para você”
 Clayton B. Levy

Barco !


Barco !

O Barco está pronto.

Hora de embarcar e iniciar a viagem de mais um dia.


Que o inesperado seja motivo de regozijo.


Que as expectativas, superadas ou não, se transformem em desafios.


Que o fardo, ao ficar pesado, seja aliviado pela renovação.


A alegria aumente e a dor diminua.


Que a solidão vire uma brisa suave.


A fé fortaleça e o espírito se agigante.


Que a cada braçada com o remo da sabedoria,


Você sinta o fluir no meio das ondas da vida.


Enfim, que o seu dia, seja pleno de realidade e fantasia.


Aristides Girardi

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Mar !



 Mar !
Desde muito pequeno eu já admirava o vento, as trovoadas, a chuva e as estrelas. 
Lembro um dia em que estava muito longe de casa, em um dos verões mais quentes que eu já presenciei, caminhando em uma planície e de repente avistei ao longe uma nuvem que deixava cair uma verdadeira cachoeira de chuva, uma das imagens mais lindas que presenciei na minha vida. 
Onde eu estava, o sol escaldante mostrava a sua soberania, e a poucos metros dali, a cascata de chuva que com o deslocamento de ar trazia um aroma agradável que me inspirou a escrever uma música onde um dos versos diz:-
- "E o Cheiro de Chuva, que se aproximava..."

Mas um dia eu conheci o Mar... foi Amor a primeira vista.

A inspiração que recebi do Mar marcou a minha vida com inúmeras situações de reflexões, Alegria e Deslumbramento com o poder de Deus na criação de tudo isso. 
Sem falar das belezas que ele contém, em si mesmo, o Mar é para mim um dos maiores feitos na natureza. 
Contemplar a natureza em todas as suas dimensões, é um Privilégio. 
Seja na Grandiosidade do Mar ou no Misterioso Infinito. 
Na Simplicidade do Canto de um Pássaro ou no Som das Cachoeiras. 
Desejo que você tenha a oportunidade de nos próximos dias desenvolver o dom da Contemplação da Natureza por onde quer que andares.   




Aristides Girardi

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Nunca Envelhecer


Nunca Envelhecer



Qual o segredo para nunca envelhecer?

No anseio da eterna juventude não são poucos aqueles que recorrem aos mais diversos recursos.

Os tratamentos clínicos, cirurgias, intervenções das mais variadas, com um único objetivo:-
- Tentar enganar o tempo.

Ele porém, inexorável, parece teimar em não se deixar ludibriar.

Logo mais, seu peso se faz sobre os ombros de todos, deixando marcas indeléveis.

Porém, será mesmo possível manter-se sempre jovem?

                                                 *   *   *

Quem visse aquela senhora, de rosto amigável, conversa fácil, os cabelos brancos bem arranjados, não conseguiria imaginar os desafios que a vida lhe oferecera.

Filha de imigrantes, criou-se na comunidade de ucranianos que chegaram ao país, junto com seus pais.

Aprendera o idioma português depois dos oito anos, o que deixara marcas no seu linguajar, carregado de sotaque, como se estrangeira fosse.

Casou-se nova, com outro imigrante, mantendo os laços com a comunidade e as raízes, das quais sempre se orgulhou.

Com os filhos, e foram cinco ao todo, vieram grandes desafios.

Logo cedo, percebeu no marido tendências para o jogo.

Seu desequilíbrio chegou ao ponto dela ter que sair às escuras, na madrugada, fugindo de credores, carregando apenas os filhos, a roupa do corpo, sem paradeiro.

A esse vício, seguiu-se o do alcoolismo, tornando o marido, muitas vezes, alheio às responsabilidades e dificuldades do lar.

Em grande parte desses momentos, ela se via sozinha, a manter a família.

Não raro, os dias amanheciam sem que ela tivesse o que colocar na panela para alimentar os filhos na hora do almoço.

Privou-se muitas vezes de comer, para que eles pudessem melhor se alimentar.

Porém, nunca perdeu sua Fé, sua Alegria de Viver, seu Otimismo.

Jamais, ao longo de toda a existência, permitiu-se reclamar do que a vida lhe ofereceu.

Ao contrário, sempre um bom conselho, uma reflexão salutar, uma história a entreter aqueles que a cercavam.

Viúva, com os filhos criados, outros foram seus ideais.

Regularmente retornava à colônia de imigrantes de onde saíra, para levar dinheiro, comida ou roupas, que arrecadava com os mais próximos, para distribuir.

Fazia crochê como lazer e, do resultado, ela se utilizava para presentear, doar, favorecer a tantos.

Aos setenta anos, decidiu criar um programa de rádio sobre a cultura de seus ancestrais.

Era para trazer alento aos velhos imigrantes, que tinham tantas saudades de seu país natal, justificava ela.

E, pessoalmente, buscou patrocínio, junto àqueles que conhecia, para financiar seu sonho.

Durante mais de dez anos, até sua desencarnação, ela levou sua Palavra Amiga e Doce, a todos que a ouviam no seu programa dominical.

E assim ludibriou o tempo.

Assim morreu jovem, com mais de oitenta anos.

Deixou a lição de que, se o envelhecimento do corpo é algo inevitável, o envelhecimento da alma e da mente é opção de cada um de nós.

Todo aquele que carrega sonhos, ideais nobres, objetivos a alcançar, não importa a idade, será sempre jovem, ludibriando o tempo com sabedoria.

Redação do Momento Espírita

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Um Dia


Um Dia

Um dia, Colombo resolveu empreender a grande viagem, rumo ao mundo novo e descobriu o caminho para a América.

Um dia, a jovem polonesa Maria Sklodowska decidiu buscar a Cidade Luz para iluminar o próprio intelecto.

Adentrou a Universidade da Sorbonne e, entusiasmada pela pesquisa, descobriu o radium, que salva vidas todos os dias.

Um dia, Francisco Bernardone saiu do lar paterno, abandonou a si mesmo e dedicou sua vida a iluminar outras vidas.

Um dia, Madalena, a mulher atormentada por Espíritos infelizes, conheceu Jesus.

Ofereceu-se à virtude e inscreveu seu nome na História, figurando como daquelas almas inesquecíveis.

Um dia, a caminho de Damasco, o rabino Saulo teve um encontro com o Nazareno e mudou sua forma de ver o mundo.

Serviu a Jesus até a morte, entregando-se em holocausto por amor à verdade que distribuiu aos povos.

Um dia, Levi deixou a coletoria onde servia a César, e foi servir ao Mestre de Nazaré.

Deixou de anotar mercadorias, dracmas e bens ilusórios, para registrar para a posteridade os ditos e os feitos do Senhor.

Legou ao mundo o Evangelho segundo Mateus, que inicia com a genealogia de Jesus e conclui com a gloriosa ressurreição.

No dia de Pentecostes, os Apóstolos iniciaram o seu ministério e derramaram pela Terra as bênçãos das claridades do reino de Deus.

Judas era um discípulo fiel a Jesus. 

Mas, um dia, acreditou mais no poder frágil da Terra do que na administração do céu, e perdeu a si mesmo.

Tudo no Universo começa um dia. 

Tudo, no mundo dos homens, começa um dia.

Os grandes impérios, as extensas jornadas, as gigantescas construções.

O Bem e o Mal, a Felicidade e o Infortúnio, a Alegria e a Dor guardam o exato momento de início.

Quando plantamos, sabemos que um dia surgirá a produção. 

Num dia se semeia, em outro se colhe.

Se entregamos o dia para a erva ingrata, ela se alastrará, sufocando o horto.

Se abandonamos os minutos aos vermes daninhos, eles se multiplicarão, impedindo a colheita.

Das resoluções de uma hora, podem sobrevir acontecimentos para mil anos.

Do gesto impensado de um momento, podem advir consequências danosas para muitos anos.

Da correta decisão de um instante, pode se delinear o panorama de alegrias para logo mais.

Tudo depende da nossa atitude na intimidade do tempo.

O amanhã será sempre aquilo que hoje projetamos. 

Alcançaremos o que procuramos.

Seremos o que desejamos.

Acordemos para a realidade do momento e amontoemos bênçãos, prestando serviços em nossas horas.

Um dia chegará em que necessitaremos dos braços amigos que hoje conquistamos, dos afetos que hoje aninhamos, dos bens que hoje produzimos.



*   *   *



O Tempo é o rio da vida, cujas águas nos devolvem o que lhe atiramos.

Enquanto dispomos das horas, realizemos a boa semeadura.

Se acreditamos no bem e a ele atendemos, cedo atingiremos a messe da felicidade.

Contudo, se desrespeitamos o tempo, desacreditando o valor do dia, em algum momento, agora, ou mais tarde, faremos a colheita amarga das horas vazias e dos momentos ociosos.

Pensemos nisso!





Redação do Momento Espírita

Em busca do sentido - Viktor Frankl





Ele tinha um consultório de Neurologia e Psiquiatria em Viena. 

Então, os nazistas invadiram a Áustria em 1938.  

Como Diretor do Departamento de Neurologia do Rothschild Hospital, com risco da própria vida, decidiu sabotar as ordens que recebera de proceder à eutanásia dos doentes mentais sob seus cuidados.

Aprisionado, em setembro de 1942, foi enviado ao Gueto de Theresienstadt, na cidade de Terezin, onde seu pai viria a morrer por exaustão.  

Tornando-se o prisioneiro número cento e dezenove mil, cento e quatro (119.104), Viktor Frankl vivenciou o horror dos campos de concentração de Auschwitz, Kaufering e Türkheim.

O manuscrito do livro que escrevera e trazia, como seu tesouro, lhe foi tomado e destruído. 

Um grande projeto, um trabalho ao qual se dedicara, simplesmente desprezado e destroçado.

Ao chegar ao barracão que lhe fora destinado, em Auschwitz, ele comentou que perdera de vista seu amigo porque ele fora selecionado para a outra fila.  

Quem lhe estava ao lado, ciente da cruel realidade, lhe apontou a janela e, indicando a fumaça que saía das chaminés de outro enorme barracão, lhe disse:-
- Você pode vê-lo ali!  

E seu calvário estava apenas começando. 

Até ser libertado a 27 de abril de 1945, pelas tropas norte-americanas, ele padeceu as mais difíceis situações.  

Cavou túneis, trabalhou em escavações e construções de ferrovias. 

Sofreu a terrível saudade dos familiares, a dureza da ausência total de notícias.  

A esposa, aos vinte e quatro anos, morreu em Auschwitz. 

Fato do qual ele tomaria conhecimento ao chegar a Viena, ao final da guerra.  

Da família, afinal, somente sobreviveu a irmã Stella, que fugira para a Austrália.  

Pois esse psiquiatra vienense escreveu, em apenas nove dias, o seu mais extraordinário Livro:-
- Em Busca de Sentido.



É o relato autobiográfico do que padeceu ele e do que presenciou os companheiros de infortúnio sofrerem.  

Na descrição sincera, trágica de suas dores, ele faz a análise psicológica de prisioneiros e de carcereiros, na qual, necessariamente, não são bons os primeiros e maus os segundos.  

Utilizou qualquer tempo de que dispunha para a observação minuciosa do comportamento, das reações do ser humano frente à adversidade.  

É um exemplo vivo de que, mesmo sob condições terríveis, o ser humano pode se adaptar e sobreviver.  

E é exatamente nesse sofrimento atroz que ele encontra sua tese central sobre o sentido da vida e a psicologia humana.

É ali que ele sedimenta as idéias sobre a Logoterapia (A1), considerada a terceira escola vienense de psicoterapia.

A vida é sofrimento, e sobreviver é encontrar sentido na dor.  

Quando todos os objetivos da vida estão desfeitos, ao homem somente resta uma liberdade:-
- A capacidade de escolher a atitude pessoal que assumirá diante das circunstâncias que o envolvem.  

Viktor Frankl escolheu sobreviver

Mas, não somente isso:-
- Exemplificou a capacidade humana de se erguer acima do seu destino, por mais adverso que seja, literalmente, dar a volta por cima, e construir uma vida digna e honrada.  

Mais ainda:-
- Uma vida que dê significado e contribua a benefício de outras vidas.  

Miremo-nos no seu exemplo.


Redação do Momento Espírita



A1 - "A Logoterapia, diferentemente de outras psicoterapias, pesquisa a dimensão espiritual do ser humano A busca do indivíduo por um sentido é a motivação primária em sua vida, e não uma "racionalização secundária" de impulsos instintivos."


 - http://msgdeluz.blogspot.com.br/



domingo, 23 de agosto de 2015

Chegou a Hora ?

Chegou a Hora ?


"Só peru morre na véspera!" - diz o adágio popular, fazendo referência ao fato de que ninguém desencarna antes que chegue seu dia.

Na realidade ocorre o contrário. 


Poucos cumprem integralmente o tempo que lhes foi concedido. 

Com raras exceções, o homem terrestre atravessa a existência pressionando a máquina física, a comprometer sua estabilidade.

Destruímos o corpo de fora para dentro com os vícios, a intemperança, a indisciplina... 


O álcool, o fumo, o tóxico, os excessos alimentares, tanto quanto a ausência de exercícios, de cuidados de higiene e de repouso adequado, minam a resistência orgânica ao longo dos anos, abreviando a vida física.

Destruímos o corpo de dentro para fora com o cultivo de pensamentos negativos, idéias infelizes, sentimentos desequilibrantes, envolvendo ciúme, inveja, pessimismo, ódio, rancor, revolta...

Há indivíduos tão habituados a reagira com irritação e agressividade, sempre que contrariados, que um dia "implodem" o coração em enfarte fulminante.

Outros "afogam" o sistema imunológico num dilúvio de mágoas e ressentimentos, depressões e angústias, favorecendo a evolução de tumores cancerígenos.

Tais circunstâncias fatalmente implicarão em problemas de adaptação, como ocorre com os suicidas.

Embora a situação dos que desencarnam prematuramente em virtude de intemperança mental e física, seja menos constrangedora, já que não pretendiam a morte, ainda assim responderão pelos prejuízos causados à máquina física, que repercutirão no perispírito, impondo-lhes penosas impressões.

Como sempre, tais desajustes refletir-se-ão no novo corpo, quando tornarem à experiência reencarnatória, originando deficiências e males variados que atuarão por indispensáveis recursos de reajuste.

Não somos proprietários de nosso corpo. 


Usamo-lo em caráter precário, como alguém que alugasse um automóvel para longa viagem um programa a ser observado, incluindo roteiro, percurso, duração, manutenção.

Se abusamos dele, acelerando-o com indisciplinas e tensões, envenenando-o com vícios, esquecendo os lubrificantes do otimismo e do bom ânimo, fatalmente ver-nos-emos às voltas com graves problemas mecânicos.

Além de interromper a viagem, prejudicando o que fora planejado, seremos chamados a prestar contas dos danos provocados num veículo que não é nosso.

No futuro, em nova "viagem", provavelmente teremos um "calhambeque" com limitações variadas, a exigir maior soma de cuidados, impondo-nos benéficas disciplinas.


 "Quem tem medo da morte?"
de Richard Simonetti

Não Deixe para Depois


Não Deixe para Depois

O pai de família chegou em casa e se sentou à mesa com as contas do mês a pagar, e algumas já vencidas, quando seu filhinho, cheio de alegria, entrou correndo na sala e disse com entusiasmo:-
-Feliz aniversário, papai! 

Mamãe disse que você está completando cinquenta e cinco anos hoje, por isso eu vou lhe dar cinquenta e cinco beijos, um para cada ano.

O garoto começou a fazer o que prometera, quando o pai exclamou:-
- Oh! 

- Filho, agora não! 

Estou tão ocupado!

O menino fez silêncio imediato. 


Mas o seu gesto chamou a atenção do aniversariante.

Olhando-o, o pai percebeu que havia lágrimas em seus grandes olhos azuis.


Desculpando-se, disse ao filho:-

- Você pode terminar amanhã.

O menino não respondeu e não foi capaz de disfarçar o seu desapontamento, enquanto se afastava.


Naquela mesma noite o pai lhe falou:-

- Venha cá e termine de me dar seus beijos agora, filho.

Ou ele não ouviu ou não estava mais com vontade, pois não atendeu ao pedido.


Dois meses depois, um acidente levou o garoto. 


Seu corpo foi sepultado num pequeno cemitério, perto do lugar onde ele gostava de brincar.

Aquele pai constantemente se sentava ao lado do túmulo do seu pequeno e, observando a natureza, pensava consigo mesmo:-
- O canto do sabiá não é mais doce que a voz do meu filho, e a rolinha que canta para os seus filhotes não é tão gentil como o menininho que deixou de completar a sua declaração de amor.


Ah! 


Se eu pudesse ao menos lhe dizer como me arrependo daquelas palavras impensadas, e como o meu coração está doendo agora por causa de minha falta de delicadeza.

Hoje eu fico aqui sentado, pensando em como pude não retribuir seu afeto, e entristeci seu pequeno coração, cheio de ternura.

                                                        * * *

Às vezes, por motivos banais, deixamos passar oportunidades únicas, que jamais se repetirão em nossas vidas.


São momentos em que uma distração qualquer nos afasta do abraço afetuoso de um ser querido...


Um compromisso, que poderíamos adiar, nos impede de ficar um pouco mais com alguém que nos deixará em breve...


Depois, como aconteceu ao pai que recusou os beijos do filho, só resta a dor do arrependimento.


E essa dor é como um fogo que queima sem consumir.


E não é necessário que a pessoa a quem negamos nossa atenção seja arrebatada pela morte, para que sintamos o desconforto do arrependimento.


Quantos filhos deixam de procurar os pais, por falta de atenção, e se vão, em busca de alguém que ouça seus desabafos ou responda suas perguntas.


Quantas esposas se fecham no mutismo, depois de várias tentativas de diálogo com o companheiro indiferente ou frio.


Quantos esposos se isolam, após tentativas frustradas de entendimento.


Por todas essas razões, vale a pena prestar atenção nos braços que se distendem para um abraço, os lábios que se dispõem para um beijo, as mãos que se oferecem para um carinho.
                                                         * * *

Um gesto de ternura deve ser sempre bem recebido, mesmo que estejamos sobrecarregados, cansados, sem vontade de atender.


Uma demonstração de amor é sempre bem-vinda, para dar novo colorido às nossas horas, ao nosso dia a dia, às nossas lutas.


O amor, quando chega, dissipa as trevas, clareia o caminho, perfuma o ambiente e refaz o ânimo de quem lhe recebe a suave visita.


Pense nisso!

Redação do Momento Espírita