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quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Minha Luz


Minha Luz



Eu era, Dor, a alma rubra e inquieta,
A pomba predileta
Do prazer, da ilusão e da alegria...
Meu coração, alegre cotovia,
Saudava alvoroçado
O segredo da noite e a luz clara do dia,
Quando chegaste de mansinho,
Pisando sutilmente o meu caminho...

E eu te enxerguei, despreocupada,
Em meu engano, em minha fantasia:-
Primeiramente,
Foste, austera e inclemente,
A um dos belos tesouros que eu possuía
E mo roubaste para sempre...

 
Em fúria iconoclasta,
Como o simum que arrasta
As cidades repletas de tesouros
Confundindo-as no pó,
Foste aos meus ídolos mais caros,
Destruindo-os sem dó.

Prosseguiste, ó divina estatuária,
Na tua obra silente e solitária,
E quebraste
Minhas cítaras de ouro,
Meus mármores de Paros,
Meus cofres de alabastros,
Minhas bonecas de biscuí,
Minhas estatuetas singulares...

 
E humilhaste
Meus sonhos de mulher e de menina,
Que eu pusera nos astros
Em meio às melodias estelares!

Mas, desde que chegaste,
Foste a sombra divina
Que acompanhou meus passos ao sepulcro...

Tudo sofri,
Ó Dor, por te querer,
Porque depois que vieste
Qual pássaro celeste
Para abrir rosas de sangue no meu peito,
Encheste a minha vida
De um estupendo prazer, quase perfeito!

Aos poucos me ensinaste a abandonar
Meus prazeres fictícios,
Trocando-os pela luz dos sacrifícios!

 
Por tudo eu te bendigo, ó Dor depuradora,
Porque representaste em meu destino,
De alma sofredora,
O fanal peregrino
Que me guiou constantemente
Através das estradas espinhosas
Para as manhãs radiosas
Da Luz Resplandecente...

Sê, pois, bendita, ó Dor linda e gloriosa,
Pois da volúpia estranha dos teus braços,
Vim pelas mãos da morte complacente
Para a vida sublime dos Espaços!... 


Livro:- "Parnaso de Além Túmulo"
Espírito:- Carmem Cinira
Médium:- Francisco Cândido Xavier

 Centro Espírita Caminhos de Luz
Pedreira
SP-Brasil

sábado, 28 de dezembro de 2013

Versos do Natal


Versos do Natal 

Enquanto a glória do Natal se expande
Na alegria que explode e tumultua,
Lembra o Divino Amigo, além, na rua…
E repara a miséria escura e grande.

Aqui, reina o Palácio do Capricho
Que a louvores e júbilos se entrega,
Onde a prece ao Senhor é surda e cega E onde o pão apodrece sobre o lixo.

Ali, ergue-se a Casa da Ventura,
Que guarda a fé por fúlgido tesouro,
Onde a imagem do Cristo, em prata e ouro, Dorme trancada em cárceres de usura.

Além, é o Ninho da Felicidade
Que recorda Belém, cantando à mesa,
Mas, de portas cerradas à tristeza
Dos que choram de dor e de saudade.
Mais além, clamam sinos com voz pura:-
— “Jesus nasceu!” — É o Templo dos Felizes
Que não se voltam para as cicatrizes. . .

Dos que gemem nas chagas de amargura..
Adiante, o Presépio erguido em trono
Louva o Rei Pequenino e Solitário,
Olvidando os herdeiros do Calvário
Sobre as cinzas dos catres de abandono.

De quando em quando, o Mestre, em companhia
Daqueles que padecem sede e fome,
Bate ao portal que lhe relembra o nome,
Mas em resposta encontra a noite fria.

E quem contemple a Terra que se ufana,
Ante o doce esplendor do Eterno Amigo, Divisará, de novo, o quadro antigo:-
— Cristo esmolando asilo na alma humana.

Natal!… O mundo é todo um lar festivo!..,
Claros guisos no ar vibram em bando…
E Jesus continua procurando
A humilde manjedoura do amor vivo.

Natal! Eis a Divina Redenção!…

Regozija-te e canta, renovado,
Mas não negues ao Mestre desprezado
A estalagem do próprio coração.

Livro:- Antologia Mediúnica do Natal
Cap. 73
Espírito Carmen Cinira 
Psicografia de Chico Xavier

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Uma Simples Palavra






Uma simles palavra humilde e boa
Que esclareça e reanime
Traz consigo o milagre, amplo e sublime,
Do Amor que regenera e aperfeiçoa.

Um “sim” ou um “não”, na graça de um sorriso,
Uma frase de estímulo e ternura,
Muitas vezes, restauram de improviso
O coração chagado de amargura.

Mas a palavra contundente e rude,
Que exprime acusação, miséria e ofensa,
Mata os gérmens da paz e da virtude
E traz consigo as trevas da descrença.

Frequentemente, o golpe inesperado
Do mal escuro que nos dilacera
Procede do veneno disfarçado
Na língua que vergasta ou desespera.

Bendita a frase calma e enobrecida!
Bendito o verbo doce, amigo e forte!...
Uma simples palavra traz a vida,
Uma simples palavra traz a morte.



Francisco Cândido Xavier

 Espírito Carmen Cinira.
 Livro:- Marcas do Caminho
Editora IDEAL.