sábado, 4 de julho de 2015

O Amor é criado pelo Coração... O resto, é ilusão.


 
O Amor é criado pelo Coração... O resto, é ilusão

Em junho de 2013, poucos dias antes do dia dos namorados, minha namorada terminou comigo. 

Eu fiquei sem entender.

Voltei pra casa e durante todo o caminho me perguntava:- 

- “Por que?”.

A única coisa que vinha na minha cabeça era a voz dela dizendo:-

- “Eu amo você”.

Eu passei um mês sofrendo procurando respostas para o que estava acontecendo.


Um dia, entrei no quarto do meu pai chorando e perguntei:-
-“Pai, ela dizia que me amava.


Então, por que ela terminou comigo?”.


Ele respondeu:-

- “Meu filho, Quando alguém entra na sua vida e depois de algum tempo vai embora, pode ser qualquer coisa menos Amor”.

Eu disse:-

- “Não da para entender. 

Um dia, existe Amor e no outro tudo acabou”.

Ele respondeu:-

-“Você nunca vai superar seus traumas se continuar procurando no Amor uma lógica. 

Construa uma nova história”.

Eu perguntei:-

- “E de onde vem essa força pra começar algo novo?”

Ele respondeu:-

- “Não se preocupe com isso. 

Todo começo vem de um final”.

Uma semana depois, meu pai foi diagnosticado com uma doença rara e degenerativa que iria matá-lo em alguns dias. 


Minha mãe não o abandonou.

Ela ficou.


Meu pai saia toda sexta para comer pizza com dois irmãos.


Quando ele parou de andar, meus tios começaram a trazer a pizza aqui em casa.


Eles diziam:-
- “Sem o seu pai, não tem graça”.


E ficavam a noite inteira dando gargalhadas.


Hoje, meu pai não consegue mais comer.


Mesmo assim, toda sexta meus tios passam aqui em casa.


Meu pai estudou em Ouro Preto-MG.


Na formatura ele combinou com três Amigos de se encontrarem de cinco em cinco anos.


Este ano, meu pai não pode ir, porque ele não anda mais.


Os Amigos dele saíram do interior de Minas e vieram até aqui em casa.


Todo formando tem uma foto pregada na parede, na república que estudou.


Os Amigos do meu pai trouxeram a foto dos quatro.


Pregaram a foto de cada um na parede do quarto e disseram:-
- “Agora, a nossa república é a sua casa”.


E combinaram que daqui cinco anos estariam de volta.


Meu pai chorou.


Meus pais completaram 47 anos de casados dia 2 de junho.


Eles sempre dançaram nesse dia.


Meu pai não consegue mais se levantar.


Minha mãe entrou no quarto e colocou a música que eles dançavam.


Ela disse:-
- “Meu filho, traz a cadeira de rodas”.


Eu perguntei:-
- “O que você vai fazer?”


Ela respondeu:-
- “Vou fazer o que seu pai faria por mim”.


Eu busquei a cadeira de rodas.


Minha mãe colocou meu pai na cadeira.


Ela ajoelhou ao lado dele e disse:-
- “Vamos dançar”.


Abraçou meu pai e fez a cadeira girar.


Ela ficou ajoelhada a música toda.


Meu pai chorava e ria ao mesmo tempo.


Eles ficaram ali dançando e se divertindo.


Eu voltei pro meu quarto chorando.


Abri o notebook e resolvi escrever esse texto.


Porque eu vejo o mundo distorcendo ou complicando demais o Amor.


Um monte de gente dizendo fique com alguém que faz isso, que faz aquilo, que te de isso, que não sei o que mais.


Esse monte de regras e exigências, são coisas criadas pela cabeça.


É, meu velho, não sei se você sabe, mas o Amor é criado pelo coração.


O resto, é ilusão.


Então, acredite.


O Amor, Amor Completo é quando você quer o outro sempre perto.


Só isso."
 

Lugar para Ela


Lugar para Ela


Todos nós precisamos da Verdade, porque a Verdade é a Luz do Espírito, em torno de situações, pessoas e coisas; fora dela a Fantasia é capaz de suscitar a loucura, sob o patrocínio da ilusão. 

Entretanto, é necessário que a Caridade lhe comande as manifestações para que o esclarecimento não se torne fogo devorador nas plantações da esperança.

Todos nós precisamos da Justiça, porque a Justiça é a Lei, em torno de situações, pessoas e coisas:-
- Fora dela, a iniquidade é capaz de premiar o banditismo, em nome do poder.

Entretanto, é necessário que a Caridade lhe presida as manifestações para que o direito não se faça intolerância, impedindo a recuperação das vítimas do mal.

Todos nós precisamos da Lógica, porque a Lógica é a Razão em si mesma, em torno de situações, pessoas e coisas; fora dela, a Paixão é capaz de gerar crime, à conta de sentimento. 

Entretanto, é necessário que a Caridade lhe inspire as manifestações,para que o discernimento não se converta em vaidade, obstruindo os serviços da Educação.

Todos nós precisamos da Ordem, porque a Ordem é a Disciplina, em torno de situações, pessoas e coisas; fora dela. 

O Capricho é capaz de estabelecer a revolta destruidora, sob a capa dos bons intentos. 

Entretanto, é necessário que a Caridade lhe oriente as manifestações para que o método não se transforme em orgulho, aniquilando as obras do bem.

Cultivemos a Verdade, a Justiça, a Lógica e a Ordem, buscando a Caridade e reservando, em todos os nossos atos, um lugar para ela, porquanto a Caridade é a Força do Amor e o Amor é a única força com bastante autoridade para sustentar-nos a União Fraternal, sob a raiz sublime da vida, que é Deus.

É por isso que Allan Kardec, cônscio de que restaurava o Evangelho do Cristo para todos os climas e culturas da Humanidade, inscreveu nos pórticos do Espiritismo a divisa inolvidável, destinada a quantos lhe abraçam as realizações e os princípios:-
 - Fora da caridade não há salvação.

 Emmanuel  
  André Luiz 
Francisco Cândido Xavie

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Julgamentos Precipitados


Julgamentos Precipitados

Quantas vezes já aconteceu?

Um servidor dedicado, após anos de trabalho irrepreensível, comete um deslize. 


Logo, todos os tantos anos de dedicação são esquecidos.

Sobre ele recaem acusações, desconfianças.


Um amigo de infância, adolescência, juventude, alguém com o qual rimos, choramos, confiamos, comete uma pequena falha.


Diz-nos um não. 


É o suficiente.

Anos de convivência são sepultados de um só golpe.


Um voluntário que serve dedicada e perseverantemente meses, anos, sempre sorridente, feliz, um dia, por algo que lhe ocorre e o perturba, se exaspera, fala mais alto.


Logo, tudo que fez até então é esquecido e somente aquele gesto de um momento de irreflexão é apontado, falado, julgado.


São retratos da vida. 


Ocorrem em muitos lugares.

E nos fazem recordar de uma história muito interessante.


A de um pai que desejava ensinar aos seus quatro filhos a respeito de julgamentos.


Assim, a cada um enviou em uma estação diferente do ano a uma terra distante para observar uma determinada árvore.


O primeiro filho chegou no inverno, o segundo na primavera, o terceiro no verão e o quarto no outono.


O primeiro informou que a árvore era feia, além de seca e toda distorcida.


O segundo disse que, ao contrário, a árvore estava carregada de botões, cheia de promessas.


O outro filho contestou aos dois irmãos e afirmou que viu a árvore coberta de flores. 


Que elas tinham um cheiro tão doce e eram tão bonitas, que ele arriscaria dizer que eram a coisa mais graciosa que ele jamais havia visto.

Finalmente, o quarto filho falou que a árvore estava tão cheia de frutas, tão carregada de vida, que chegava estar arqueada.


O pai, ponderado, explicou que todos estavam certos, no entanto, cada um deles julgara a árvore exatamente pela época do ano em que a havia visto.


Na vida, continuou, também é assim. 


Quase sempre somos precipitados nos julgamentos.

Para julgar com acerto, compete-nos observar com atenção, colher informações detalhadas.

                                                 *   *   *

Dessa forma, não julguemos situações e pessoas por um momento apenas.


Consideremos que todos passamos pelos dias desolados do inverno. 


Dias de tristeza, de solidão, de problemas superlativos.

Nessa estação da vida, parecemos árvores de galhos retorcidos.


Contudo, quando a Esperança faz morada na intimidade, carregamo-nos de promessas, de botões prontos a explodirem em flores.


Então, acenamos com cores vibrantes, flores perfumadas, graciosas que, logo mais, se transformarão em produção abundante de frutos.


Pensemos nisso e não façamos julgamentos precipitados de situações, de pessoas, de companheiros, de amigos.


Verifiquemos, antes, em que estação do ano estagia a alma de quem vamos julgar.


E, se descobrirmos que o inverno envolve aquela criatura, estendamos a contribuição do sol da nossa amizade, o adubo do nosso auxílio, a proteção do nosso carinho.


Pensemos nisso.


Redação do Momento Espírita

Diferente Olhar


Diferente Olhar

Dois amigos, que há muito não se viam, encontram-se no centro da cidade e resolvem tomar um cafezinho.

Conversa vai, conversa vem, Pedro diz que está terminando a construção de uma nova casa, e que logo mudará de endereço.

Tomás pensa um pouco e pergunta:-
- Você não se incomoda de mudar de casa?

De casa não. 

Porém, não suportaria, com certeza, mudar de lar...

Essa é boa. – Diz, rindo, Tomás. 

Você está caçoando! 

Foi isso mesmo que perguntei.

Acredito que você não atinou ainda que entre casa e lar, existe uma grande diferença. 

– Fala Pedro, muito sério.

Como assim? 

É tudo uma coisa só!

Não, meu amigo. 

Casa é a construção de madeira ou de tijolos e cimento. 

Lar é a Construção de Amor, de Sentimentos, Amizade, Respeito e Ternura.

Quando construímos ou moramos em uma casa, estamos lidando com algo passageiro, porque é material e um dia termina, deteriora, vira pó...

Porém, quando construímos um sentimento de Amor, Carinho e Amizade, estamos lidando com Algo Imaterial. 

Isso é conquista do Espírito. 

E o Espírito é Imortal.

Tomás pensa um pouco e fala para o amigo:-
- Preciso começar a entender melhor essas coisas. 

Para mim é tudo igual. 

Mas, me diga, o que o levou a essa decisão, depois de tanto tempo morando naquele sobrado tão lindo?

O tempo passa, amigo, meus filhos estão na adolescência, um deles fará vestibular este ano. 

Minha mulher e eu adotamos duas crianças:-
- Dois irmãos, de dois e quatro anos. 

Precisamos de mais espaço para acomodar a todos.

A surpresa de Tomás é enorme.

Crianças de dois e quatro anos? 

Nossa, logo agora, com os filhos grandes, vão começar tudo de novo...

Amigo, – responde Pedro - a vida não para. 

O sol continua brilhando, a lua cumprindo suas fases, a máquina do tempo acelerando...

Por que nós, simples mortais, haveríamos de descansar quando ainda podemos produzir tanto?
                                                 *   *   *

Alguns de nós vivemos tão envolvidos nas coisas materiais que nos esquecemos da Realidade Maior.

Quando percebermos que somos simples viajantes, de passagem por este mundo, tudo assumirá uma nova feição.

As dificuldades enfrentadas serão analisadas com outra visão. 

Deixarão de serem vistas como problemas para serem encaradas como meros desafios.

A Felicidade estará mais próxima de todos porque não estará alicerçada sobre objetos, produtos, coisas, mas em sentimentos e realizações espirituais.

O próximo será aquele irmão que apenas nasceu em lar diferente.

O trabalho deixará de parecer infrutífero, porque o seu preço será equivalente ao prazer de realizá-lo.

A riqueza material será vista como oportunidade de promover o progresso em benefício de todos ao nosso redor.

O conhecimento será buscado com mais disposição e os sentimentos serão valorizados como devem ser, porque aprenderemos que conhecimentos e sentimentos são as nossas asas de libertação!

Pensemos nisso.

Redação do Momento Espírita

quinta-feira, 2 de julho de 2015

As Crises do Mundo


As Crises do Mundo

"Entre o passageiro e o comboio que o transporta, há singulares e inconfundíveis diferenças. 

Se o veículo ameaça desastre, é possível que o viajante, dentro dele, se converta em ponto de calma, irradiando reequilíbrio..."

As crises, as dificuldades, os desregramentos do mundo!...

De modo habitual, referimo-nos às provações terrestres, mormente nas épocas de transição, como se nos regozijássemos em ser folha inerte nas convulsões da torrente.

Em verdade, o mundo se encontra em renovação incessante, qual sucede a nós próprios, e, nas horas de transformações essenciais, é compreensível que a Terra pareça uma casa em reforma, temporariamente atormentada pela transposição de linhas e reajustamento de valores tradicionais. 

Tudo em reexame, a fim de que se revalidem os recursos autênticos da civilização, escoimados da ganga dos falsos conceitos de progresso, dos quais a vida se despoja para seguir adiante, mais livre e mais simples, conquanto mais responsável e mais culta.

Natural que a existência em si mesma, nessas ocasiões, se nos afigure como sendo um painel torturado de paixões à solta.

Costumamos olvidar, porém, que o mundo é o mundo e nós somos nós. 

Entre o passageiro e o comboio que o transporta, há singulares e inconfundíveis diferenças. 

Se o veículo ameaça desastre, é possível que o viajante, dentro dele, se converta em ponto de calma, irradiando reequilíbrio.

Assim também, no Planeta... 

Somos todos capazes de fazer cessar em nós qualquer indução à indisciplina ou à desordem. 

Cada qual pode assumir as rédeas do comando íntimo e estabelecer com a própria consciência o encardo de calafetar com a bênção do serviço e da prece todas as brechas da alma, de modo a impedir a invasão da sombra no barco de nossos interesses espirituais, preservando-nos contra o mergulho no caos, tanto quanto auxiliando aqueles que renteiam conosco na viagem de evolução e de elevação.

Faze-te, pois, onde estiveres, um ponto assim de tranquilidade e socorro. 

O deserto é, por vezes, imenso; no entanto, bastam algumas fontes isoladas entre si para garantirem a jornada segura através dele. 

Na ausência do Sol, uma vela consegue acender milhares de outras, removendo o assédio da escuridão.

Que o mundo se encontra em conflitos dolorosos, à maneira de cadinho gigantesco em ebulição para depurar os valores humanos, é mais que razoável, é necessário. 

Entretanto, acima de tudo, importa considerar que devemos ser, não obstante as nossas imperfeições, um ponto de luz nas trevas, em que a inspiração do Senhor possa brilhar.



Emmanuel 
 Francisco Cândido Xavier

Fonte de Perturbação - O Medo

Fonte de Perturbação 
 O Medo

Decorrente dos referidos fatores sociológicos, das pressões psicológicas, dos impositivos econômicos, o medo assalta o homem, empurrando-o para a violência irracional ou amargurando-o em profundos abismos de depressão.

Num contexto social injusto, a insegurança engendra muitos mecanismos de evasão da realidade, que dilaceram o comportamento humano, anulando, por fim, as aspirações de beleza, de idealismo, de afetividade da criatura.

Encarcerando-se, cada vez mais, nos receios justificáveis do relacionamento instável com as demais pessoas, surgem as ilhas individuais e grupais para onde fogem os indivíduos, na expectativa de equilibrarem-se, sobrevivendo ao tumulto e à agressividade, assumindo, sem darem-se conta, um comportamento alienado, que termina por apresentar-se igualmente patológico.

As precauções para resguardar-se, poupar a família aos dissabores dos delinquentes, mantendo os haveres em lugares quase inexpugnáveis, fazem o homem emparedar-se no lar ou aglomerar-se em clubes, academias e bares, com pessoal selecionado, perdendo a identidade em relação a si mesmo, ao seu próximo e consumindo-se em conflitos individualistas, a caminho dos desequilíbrios de grave porte.

Os valores da nossa sociedade encontram-se em xeque, porque são transitórios.

Há uma momentânea alteração de conteúdo, com a conseqüente perda de significado.

A nova geração perdeu a confiança nas afirmações do passado e deseja viver novas experiências ao preço da alucinação, como forma escapista de superar as pressões que sofre, impondo diferentes experiências.

No âmago das suas violações e protestos, do vilipêndio aos conceitos anteriores vige o medo que atormenta e submete às suas sombras espessas.

A quantidade expressiva de atemorizados trabalha a qualidade do receio de cada um, que cresce assustadoramente, comprimindo a personalidade, até que esta se libere em desregramento agressivo, como forma de escapar à constrição.

Quem, porém, não consiga seguir a correnteza da nova ordem, fica afogado no rio volumoso, perde o respeito por si mesmo, aliena-se e sucumbe.

Na luta furiosa, as festas ruidosas, as extravagâncias de conduta, os desperdícios de moedas e o exibicionismo com que algumas pessoas pensam vencer os medos íntimos, apenas se transformam em lâminas baças de vidro pelas quais observam a vida sempre distorcida, face à óptica incorreta que se permitem. 

São atitudes patológicas decorrentes da fragilidade emocional para enfrentar os desafios externos e internos.

A consumação da sociedade moderna é a história da desídia do homem em si mesmo, enlanguescido pelos excessos ou esfogueado pelos desejos absurdos.

Adaptando-se às sombras dominadoras da insensatez, neglicencia o sentido ético gerador da paz.

A anarquia então impera, numa volúpia destrutiva, tentando apagar as memórias do ontem, enquanto implanta a tirania do desconcerto.

Os seus vultos expressivos são imaturos e alucinados, em cuja rebelião pairam o oportunismo e a avidez.

Procedentes dos guetos morais, querem reverter a ordem que os apavora, revolucionando com atrevimento, face ao insólito, o comportamento vigente.

Os antigos ídolos, que condenaram a década de 20 e 30 como a da “geração perdida”, produziram a atual “era da insegurança”, na qual malograram as profecias exageradamente otimistas dos apaniguados do prazer em exaustão, fabricando os super-homens da mídia que, em análise última, são mais frágeis do que os seus adoradores, pois que não passam de heróis da frustração.

Guindados às posições de liderança, descambaram, esses novos condutores, em lamentáveis desditas, consumidos pelas drogas, vencidos pelas enfermidades ainda não controladas, pelos suicídios discretos ou espetaculares.

A alucinação generalizada certamente aumenta o medo nos temperamentos frágeis, nas constituições emocionais de pouca resistência, de começo, no indivíduo, depois, na sociedade.

Esta é uma sociedade amedrontada.

As gerações anteriores também cultivaram os seus medos de origem atávica e de receios ocasionais.

O excesso de tecnicismo e tecnologia com a correspondente ausência de solidariedade humana produziram a avalanche dos receios.

A superpopulação tomando os espaços e a tecnologia reduzindo as distâncias arrebataram a fictícia segurança individual, que os grupos passaram a controlar, e as conseqüências da insânia que cresce são imprevistas.

Urge uma revisão de conceitos, uma mudança de conduta, um reestudo da coragem para a imediata aplicação no organismo social e individual necrosado.

Todavia, é no cerne do ser — no Espírito — que se encontram as causas matrizes desse inimigo rude da vida, que é o medo.

Os fenômenos fóbicos procedem das experiências passadas — reencarnações fracassadas —, nas quais a culpa não foi liberada, face ao crime haver permanecido oculto, ou dissimulado, ou não justiçado, transferindo-se a consciência faltosa para posterior regularização.

Ocorrências de grande impacto negativo, pavores, urdiduras perversas, homicídios programados com requintes de crueldade, traições infames sob disfarces de sorrisos produziram a atual consciência de culpa, de que padecem muitos atemorizados de hoje, no interrelacionamento pessoal.

Outrossim, catalépticos sepultados vivos, que despertaram na tumba e vieram a falecer depois, por falta de oxigênio, reencarnam-se vitimados pelas profundas claustrofobias, vivendo em precárias condições de sanidade mental.

O medo é fator dissolvente na organização psíquica do homem, predispondo-o, por somatização, a enfermidades diversas que aguardam correta diagnose e específica terapêutica.

À medida que a consciência se expande e o indivíduo se abriga na fé religiosa racional, na certeza da sua imortalidade, ele se liberta, se agiganta, recupera a identidade e humaniza-se definitivamente, vencendo o medo e os seus sequazes, sejam de ontem ou de agora.

O Homem Integral
Joanna de Ângelis
Divaldo Pereira Franco 

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Paz Indestrutível

Paz Indestrutível

Na Terra, muitas vezes, terás o coração cercado:-
- de adversários gratuitos;
- de críticas indébitas;
- de acusações sem sentido;
- de pensamentos contraditórios;
- de pedras da incompreensão;
- de espinhos do sarcasmo;
- de ataques e desentendimentos;
- de complicações que não fizeste;
- de sensações e problemas;
- de processos obsessivos;
entretanto, guarda a serenidade e prossegue agindo na extensão do Bem, porque, resguardando a Consciência Tranquila, terás nos recessos da própria Alma, a Paz de Cristo, que ninguém destruirá.

Emmanuel
Chico Xavier

Uma Religião chamada "Amor !"


 Uma Religião chamada "Amor !"

No dia 2 deste mês, Chico Xavier, se estivesse vivo, completaria 105 anos.

Nunca vou me esquecer da noite passada em Uberaba, quando eu, com 18 anos, me vi equilibrando-me no alto de uma janela. 

Eu e uma multidão que foi àquela cidade para vê-lo psicografando, em estado mediúnico.

O guarda me tirava, e eu voltava correndo até, finalmente, conseguir adentrar na sala apinhada. 

A emoção era tanta que nem sequer piscava os olhos, sabia que estava diante de uma pessoa ímpar.

Lembro-me da casa simples, da mesa de madeira em que ele, com a cabeça abaixada e os olhos cerrados, psicografava mensagens daqueles que já se foram, dirigidas a parentes e entes queridos ali presentes. 

Imagino quanto conforto essas mensagens pessoais e detalhadas traziam a essa gente.

Nesse dia, adquiri vários dos seus livros, entre os mais de 400 que já psicografou e cujos direitos autorais eram e continuam sendo doados a obras assistenciais.

Na manhã seguinte, acordei cedo para acompanhá-lo a uma peregrinação por bairros pobres da cidade. 

Humilde, caladinho, com uns óculos enormes e pesados, repartia mantimentos e sorrisos tímidos. 

Voltei para Belo Horizonte com a certeza de ter visto um exemplo vivo de uma pessoa iluminada, nascida para distribuir amor.

Um “anjo” que ainda hoje, por meio de suas mensagens, acompanha e dá conforto a tantos.

Ao ler sua biografia, descobri que seu primeiro contato com a doutrina espírita foi em 1927. 

Quando criança, costumava ouvir vozes ou sentir mãos sobre as suas, guiando suas escritas. 

Menino, não compreendia como sua mãe, já falecida, continuava a lhe aparecer, principalmente nos momentos de aflição.

Chico Xavier, com certeza o maior médium que já tivemos, certa ocasião, disse:-
- “Nunca quis mudar a religião de ninguém, porque não acredito que a religião ‘a’ seja melhor que a religião ‘b’. 

Nas origens de Toda Religião Cristã está o pensamento de Nosso Senhor Jesus Cristo. 

Se Allan Kardec tivesse escrito que ‘fora do espiritismo não há salvação’, eu teria ido por outro caminho. 

Graças a Deus ele escreveu ‘fora da Caridade’, ou seja, fora do Amor não há salvação...”

Admiro e me identifico com a doutrina kardecista. 

Ouvir sobre o evangelho ou tomar um passe são coisas que me trazem conforto, assim como comungar numa igreja católica ou participar de um encontro na Sociedade Teosófica (que não diz respeito a uma religião específica, mas à Verdade de todas).

Estar num templo hinduísta na Índia, ao som de um mantra, é fascinante. 

O budismo, para muitos, é quase uma filosofia de vida. 

Nunca entrei numa sinagoga, mas sei da profundidade da cabala. 

Na minha última viagem à Turquia, orei sob os imensos pilares da Mesquita Azul, com os pés descalços e a cabeça coberta por um véu. 

Admiro os evangélicos pela sua fé e pelo papel social que exercem nos aglomerados das cidades. 

Deus é igual para Todos, não importa a que religiões pertençam.

Para finalizar, transcrevo uma das inúmeras manifestações escritas que Chico nos delegou:-
- “Vida É o amor existencial. 

Razão É o amor que pondera. 

Estudo É o amor que analisa. 

Ciência É o amor que investiga. 

Filosofia É o amor que pensa. 

Religião É o amor que busca a Deus. 

Verdade É o amor que eterniza. 

Ideal É o amor que se eleva. 

Fé É o amor que transcende. 

Esperança É o amor que sonha. 

Caridade É o amor que auxilia. 

Fraternidade É o amor que se expande. 

Sacrifício É o amor que se esforça. 

Renúncia É o amor que depura. 

Simpatia É o amor que sorri. 

Trabalho É o amor que constrói. 

Indiferença É o amor que se esconde. 

Desespero É o amor que se desgoverna. 

Paixão É o amor que se desequilibra. 

Ciúme É o amor que se desvaira. 

Orgulho É o amor que enlouquece. 

Sensualismo É o amor que se envenena. 

Finalmente, o ódio, que julgas ser a antítese do amor, não é senão o próprio amor que adoeceu gravemente”.  


Fonte: -

terça-feira, 30 de junho de 2015

Voltarás Amanhã

Voltarás Amanhã


Não repouses na gleba de possibilidades que o Divino Amor te confiou ao coração na Terra.
 
Voltarás amanhã para colher o que hoje semeias.


Ninguém te pede milagres de santidade num dia.


A árvore vigorosa não cresceu de improviso.


A cidade em que renasceste não se levantou de repente.


Tudo se desenvolve, minuto a minuto...


A vida impõe-te "agora" as conseqüências do "antes".


Somos hoje no espaço e no tempo, a projeção do que fomos...


Se a dor é a tua mestra constante, agradece-lhe o serviço e aprende a lição. 


Ela é o recurso invisível com que a Bondade do Senhor te arrebata ao labirinto das sombras de ti mesmo.

Se recebeste alguma facilidade para atravessar, com êxito, a escura região terrestre, não te confies à preguiça ou à vaidade, para que o sofrimento não seja convidado a desintegrar a gelada neblina em que te sepultarás sem perceber.


Não te esqueças.


A oportunidade passa, mas a luta adiada volta sempre.


Amanhã reencontrar-te-ás contigo mesmo, na paisagem que o mundo te oferece, nos ideais que esposas, nos trabalhos confiados à tua mão ou na pessoa do próximo que honras e menosprezas...


Cumpramos, agora, os nossos iluminados deveres à face da Lei.


Convertamos nossa experiência pessoal em serviço a todos, transformando as horas, que Deus empresta, em bênçãos de utilidade, beleza, graça e harmonia e o futuro constituir-se-á para nossa alma em abençoado e celeste caminho de ascensão.


Não critiques destruindo. 


Não julgues o mal por mal. 

Não firas a ninguém.

Não revides os golpes da sombra para que te não demores nas malhas da treva.


Não retribuas ofensa por ofensa, amargura por amargura, incompreensão por incompreensão.


Ama, auxilia e passa, e, quando regressares à Terra, amanhã, o mundo receberá teus pés, em chuva de bênçãos.
 


 Emmanuel
Francisco Cândido Xavier