domingo, 25 de novembro de 2012

Valores da Vida







Todo intercâmbio entre as almas está em constante processo de renovação no sustento da marcha evolutiva de todos.

Nenhum coração pode viver normalmente sem companhia.

Olhar, gesto e palavra, ocorrências naturais em qualquer recanto da vida terrestre, tem significações profundas para a garantia da felicidade.

O olhar exprime os mais diversos sentimentos na mímica da face.

O gesto pode ser o movimentos inicial de grandes ações.

A palavra constrói ou destrói facilmente e, em segundo, estabelece, por vezes, resultados vitais para muitos anos.

Toda criação da consciência reveste-se de importância particular.

Desde o pensamento isolado a germinar da forja do cérebro à plasmagem respectiva, tudo se afirma com valor específico, registrado, medido e julgado por Leis Inderrogáveis.

Modificam-se os valores da vida externa, segundo os valores do entendimento.

Examinemos semelhante realidade.

O arco e a flecha, preciosos para o selvagem, carecem de proveito nas mãos do homem relativament instruido.

Uma enciclopédia mostra expressão diferente aos olhos do professor e aos olhos do analfabeto.

As notas musicais são melodias para o músico e vibrações sonoras para o físico.

O desespero desconhece a paz que mora invariavelmente no centro da vida.

A teimosia apenas aprova o que lhe convém às cristalizações.

O egoismo vê concorrentes em todas as criaturas.

A fraternidade encontra irmãos em todos os companheiros.

A avaliação do bem e do belo varia, portanto, de espírito a espírito, de acordo com o burilamento íntimo de cada um.

Levantemos o pensamento para Jesus.

O Evangelho reune os valores indestrutíveis.

Aproveita o mínimo ensejo de auxiliar aos semelhantes.

Observa o lado nobre das ocorrências.

Ajusta o colorido do otimismo nas telas do cotidiano.

Confia e espera com paciência.

O objetivo maior da Criação é a felicidade real de todos.

Estuda ao redor de teus passos se os seres e as coisas, os fatos e as vidas premanecem estacionários ou progressistas, na procura de valores eternos e, buscando a tua própria integração com o melhor, caminharás firmemente no rumo da perfeição.

Francisco Cândido Xavier
Obra - Sol nas Almas. 
 Espírito André Luiz








Problemas Pessoais





Os teus são problemas iguais aos de todas as pessoas.

Por mais te creias infeliz, há outros que jazem em grabatos de maiores dores ou que estão encurralados em sombras mais espessas.

Mesmo que teimes em ignorar, desfilam ao teu lado na passarela da ilusão os campeões do infortúnio e brilham nas disputas sociais os ases do sofrimento sob cargas de desespero que não suportarias.

Os teus são os problemas do quotidiano, que todos experimentam, mas que se avolumam e agravam por leviandade ou rebeldia da tua parte.

Não desconheces que o renascimento é condição impostergável e que ele é exigido a todos os espíritos endividados para benefício deles mesmos.

Ao revés de punição é precioso auxílio que lhes faculta liberação dos pesados débitos contraídos nos dias da ignorância.

Nenhum de nós tem estado isento de ressarcir…

Trânsfugas da reta conduta, somos o que merecemos.

A exceção única é Jesus, nosso Modelo e Guia. Mesmo assim, Ele enfrentou problemas sobre problemas até o triunfo na Ressurreição.

A semente que se beneficia e se desdobra no solo fértil enfrenta o problema da terra que a esmaga.

O rio cantarolante, que esparze linfa preciosa para a manutenção da vida, experimenta o problema do leito em que corre.

A ave, que chilreia e adorna a natureza, padece o problema da subsistência e do agasalho.

A flor, que aromatiza, sofre o problema do inseto que lhe suga a vitalidade e a fecunda com outro pólen.

A vida em todas as manifestações é uma sucessão de testes e exames a que são submetidos os aprendizes da evolução.

 Evangelho Segundo o Espiritismo
Capítulo 2º – Item 7.
  Divaldo Pereira Franco
Florações Evangélicas.
Espírito Joanna de Ângelis. 7.






sábado, 24 de novembro de 2012

O Sofrimento Alheio






O bonde deslizava em marcha regular, mas Belarmino Cintra, sentado no quinto banco, extravasava desespero.


Parecia não ver os carros que buzinavam, nem o casario em torno, nem circunstantes, nem a chuva garoenta.

Ele só e a excitação.

Ele só e a mágoa.

Aguardava a promoção por onze anos de trabalho correto na repartição e era funcionário há mais de vinte.

Esforçara-se, renunciando a facilidades diversas, pensando na melhoria.

No momento exato, porém, a melhoria alcançara outro que, a seu ver, não correspondera.

Indignado, escrevera uma carta ao chefe, ameaçando-o com um inquérito escandaloso, e o chefe chamara-o a gabinete para entendimento pessoal.

Sentia-se desanimado, infeliz.

Era pai de família.

Esposa e quatro filhos.

Não tinha débitos a solver, mas nenhum vintém no pé-de-meia.

No fim do mês, era sempre a mesma situação.

Contas pagas e bolso vazio.

Achava-se, por isso, inconformado, revoltado…

Não suportaria qualquer advertência.

Armara-se.

Se o chefe lhe desconsiderasse a atitude, reagiria…

O veículo para por dois longos minutos, esperando por outro no entroncamento.

E Belarmino, relanceando os olhos, é quase obrigado a ler uma frase no volume que a senhora míope ergue muito alto, no banco, em frente.

É um livro espírita, em cujo texto ele anota um aviso, letra por letra:-
— “Tenha paciência.

Fitando o sofrimento alheio, aprendemos a encontrar a felicidade que é nossa.”

Belarmino sente-se como sob ducha fria.

Nisso, no instante exato em que o bonde larga de novo, um homem pesado toma o veículo, a esbofar-se, enxugando o suor, apesar do tempo frio.

Senta-se rente ao escriturário preterido, e, porque um senhor vizinho lhe mostre semblante mais ameno, fala-lhe à queima roupa:-
— Vida penosa!

Não aguento mais!…

— É, meu caro amigo! — disse o companheiro anônimo — cada qual neste mundo tem sua quota de aflição…

Porque o bonde passasse à frente de um consultório médico em que se via grande número de consulentes esperando vez, o recém-chegado observou:-
— Vida boa é de médico! 

Parece que os clientes lhe trazem a sopa à boca.

O outro, no entanto, discordou:-
— O senhor está enganado.

Eu sou médico.

Estamos presos ao sofrimento humano.

Cada enfermo é um problema.

E os cabelos embranquecem ou caem cedo como se tivéssemos um vulcão na cabeça.

De minha parte, estou fatigado.

Ainda ontem vi minha mãe morrer nos meus braços, devorada pelo câncer, sem que eu lhe pudesse dar outra coisa senão anestésicos.

E num desabafo:-
— Vida boa deve ser a de quem possa andar ou viajar livremente, assim como o caixeiro viajante…

O outro, porém, revidou:

— Caixeiro viajante?

Não diga isso.

Sou viajante comercial há quinze anos…

Encontro humilhações por toda parte, separado da família na maior parte do tempo…

E, para cúmulo do azar, fui responsabilizado inocentemente por um desfalque de quatrocentos mil cruzeiros…

Devedores astuciosos conseguiram envolver-me nisso, sem que eu tenha culpa…

Belarmino queria continuar ouvido, mas uma senhora triste entrou na parada próxima, carregando um pequenino doente.

Faixa sanguinolenta envolvia-lhe os olhos.

— Que foi? — dessa vez foi o próprio Cintra quem perguntou, lembrando os filhos.

E a senhora:-
— Meu filhinho perdeu os olhos com a explosão de uma bomba.

Belarmino procura consolá-la.

Daí a instantes, o funcionário, transformado, desce e entra no gabinete da chefia.

O diretor recebe-o, evidentemente irritado.

Mas Belarmino fala, humilde:-
— Doutor, antes de tudo, quero pedir-lhe desculpas por minha carta violenta e ofensiva…

Eu não tinha razão!

O chefe sorriu, como quem se livrara de um desastre iminente, e falou, alegre:

— Oh!

Graças a Deus, você entendeu por fim…

As injunções políticas são pedras no caminho…

Somos companheiros, Belarmino. 

Não perca a esperança.

A promoção virá breve…

Mas Belarmino sorri também, e roga:-
— Doutor, peço-lhe!

Não se preocupe comigo!

Eu estava perturbado.

E despediu-se tranquilo, para voltar ao trabalho.

Mas, no dia seguinte, o chefe procurou-o, com excelentes informes, e Belarmino contou-lhe a história viva da frase que lera de escantilhão.



Capítulo 15 -  Livro Almas em Desfile
de Hilário Silva
Médiuns Waldo Vieira e Francisco Cândido Xavier.







Porque existe a Família?





Você já pensou sobre qual é o objetivo da família, na terra?

Afinal de contas, por que existe a família?

Se Deus, que é o Criador de todas as coisas, criou a necessidade da vida em família, é porque ela tem uma finalidade importante para o progresso do Espírito.

Vamos encontrar a resposta para essa questão, nos ensinamentos do maior Sábio de todos os tempos.

Jesus recomendou que devemos amar o próximo como a nós mesmos.

Assim, a família é essa escola onde podemos aprender a amar umas poucas pessoas para um dia amar a humanidade inteira.

Deus, que é a inteligência suprema, sabe que no estágio evolutivo em que se encontra, o homem é incapaz de amar todos os seres humanos como a si mesmo.

Por essa razão ele distribui as pessoas nessas pequenas escolas chamadas lares, para que aprendam o amor ao próximo mais próximo.

É assim que em nossas múltiplas existências vamos aprendendo o amor, nas suas diversas facetas: amor de mãe para filho, de filho para mãe, de irmão para irmão, de avô para neto, de neto para avô, de tio para sobrinho, de sobrinho para tio, de esposo para esposa e assim por diante.
E, quando conseguimos amar verdadeiramente um filho, por exemplo, nosso coração se enternece também pelos filhos alheios.

Quando desenvolvemos profundo amor por uma avó ou pelos pais, toda vez que uma velhinha ou velhinho cruzar nosso caminho, sentiremos algum carinho, porque nos lembraremos dos nossos queridos velhos.

Assim, os laços de afeto vão se formando, aos poucos, para que um dia possam se estender por toda a grande família humana.

Considerando-se, ainda, a lei da reencarnação, ou seja, das várias existências no corpo físico, vamos solidificando esses laços de afetividade com um maior número de rito’>espíritos, que nascem sob o mesmo teto que nós.

Dessa forma, nossa família ritual’>espiritual se amplia e os laços de bem-querer se solidificam a cada nova possibilidade de convívio.

Podemos constatar essa realidade no amor que nutrimos pelos amigos, que não fazem parte da parentela corporal, mas com os quais temos laços sólidos de afeição.

Se o amor ao próximo é lei da vida, teremos, mais cedo ou mais tarde, que aprender esse amor.

E nada mais lógico do que começar pelos familiares, que a sabedoria das leis divinas reuniu no mesmo lar.

Portanto, viver em família é um grande desafio e ao mesmo tempo um importante aprendizado, pois o convívio diário nos dá oportunidade de limar as arestas com aqueles que por ventura tenhamos alguma diferença.

Nascendo no mesmo reduto familiar é mais fácil superar as desafeições, pois os laços de sangue ainda se constituem num ponto forte a favor da tolerância e da convivência pacíficas.

É por essa razão que existe a família: para que aprendamos a nos amar como verdadeiros irmãos, filhos do mesmo Criador.

Pense nisso!

Olhando a humanidade como uma grande família, todas as barreiras que separam os povos caem por terra, pois num outro país, numa outra raça, numa outra religião, pode estar alguém que já foi nosso parente consangüíneo ou nosso grande amigo numa existência física passada.

Assim, se você entender que isso tudo faz sentido, comece a ver as pessoas que cruzam seu caminho com outros olhos.

Com olhos de quem entende e atende a recomendação do Cristo:-
- ame o próximo como a si mesmo.


Momento espiríta









sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Amar os Inimigos





Como se pode amar a quem nos quer mal?

Mesmo se já tenhamos ultrapassado muitas barreiras, e já estejamos em codições de não odiar a alguém gratuitamente, ainda assim nos sentimos com dificuldade em lidar com o ódio que nos é dirigido.

Podemos dizer que é um direito nosso, ou que se trata apenas de defesa.

Mas é forçoso reconhecer que o coração se rebela, e que o sentimento de vingança muitas vezes espera apenas pela hora mais oportuna.

Se não tomamos em armas contra nossos inimigos, torcemos pelo seu insucesso.

Rimos de seus fracassos, e ficamos frustrados com suas vitórias.


Não é esse o espírito do mandamento.

Mas, se sabemos repeti-lo — “amai os vossos inimigos” — como fazer para colocá-lo em prática?

Este é o desafio.

A vigilância é necessária, mas é preciso ir mais adiante, desenvolvendo uma postura mental adequada.

Há pessoas que dedicam sua vida à obtenção de uma total paz de espírito, caracterizada pelo esvaziamento completo da mente. Se não implica amor, pelo menos o esvaziamento já permite a neutralização do ódio.

Na impossibilidade que me encontro de atingir este estado, o que fazer?

Render-me aos pensamentos normais leva, com certeza, ao ódio incubado, um sentimento perigoso de se guardar, que envenena a alma e apenas espera pela oportunidade para se manifestar.

A vigilância ativa sugere outras formas de agir.

Lembro-me de uma conversa, onde me foi dito que o Divaldo Pereira Franco conversava com um companheiro espiritual seu; ora para dedicar uma ação de caridade, ora para evocar a beleza de uma planta, ou de um dia ensolarado.

Esta atitude de convite ao amor transformou o seu obsessor em um companheiro, um amigo que passou a acompanhá-lo no seu trabalho.

Assim, minha sugestão é:-
- na impossibilidade de ignorar, vamos fortalecer a mente nos pensamentos positivos.

Vamos amar sem afetação; vamos conviver bem, convidando ao amor.

Essa parece ser uma forma justa de obter uma reforma íntima, em benefício não somente nosso, mas de todos os nossos ‘inimigos’.






A Arte de Cultivar Virtudes






Um avô e seu neto caminhando pelo quintal, ora se agachando aqui, ora ali, em animada conversação, não é cena muito comum nos dias atuais.

O garoto, de 4 anos de idade, aprendia a cultivar e a cuidar das plantas com o exemplo do seu avô, que tinha tempo para o netinho, sempre que este o visitava.

 Era por isso que o pequeno Nícolas acariciava as mudinhas que havia plantado e dizia:-
- Quem planta colhe, né, vovô?

Mas o avô não é habilidoso apenas no cultivo de plantas, é hábil também na arte de cultivar virtudes.

Entre uma conversa e outra, entre a carícia numa flor e uma erva daninha que arrancava, ele ia cultivando virtudes naquele coração infantil.

Ia ensinando que, para obter frutos saborosos e flores perfumadas, é preciso cuidado, dedicação, atenção e conhecimento.

E que, acima de tudo, é preciso semear, pois sem semeadura não há colheita.

O cuidado do pequeno Nícolas pelas plantas era fruto do ensinamento que recebeu desde pequenino, pois nem sempre foi assim.

Quando começou a engatinhar, suas mãozinhas eram ligeiras para arrancar tudo o que via pela frente, como qualquer bebê que quer conhecer o mundo pela raiz…

E, se não tivesse por perto alguém que lhe ensinasse a respeitar a natureza, talvez até hoje seu comportamento fosse o mesmo, como muitas crianças da sua idade ou até maiores.

Importante observar que as melhores e mais sólidas lições as crianças aprendem no dia-a-dia, com os exemplos que observam nos adultos.

É mais pela observação dos atos do que pelos conselhos, que os pequenos vão formando seus caracteres.

Se a criança cresce em meio ao desleixo, ao descuido, às mentiras, ao desrespeito, vendo os adultos se agredindo mutuamente, ela aprenderá essas lições.

Assim, se temos a intenção de passar nobres ensinamentos a alguém, se faz necessário que prestemos muita atenção ao nosso modo de vida, às nossas ações diárias.

Como todo bom jardineiro, os educadores devem ser bons cultivadores de valores e virtudes.

 Devem observar com cuidado as tendências dos filhos e procurar semear, na alma infantil, as sementes das virtudes.

Ao mesmo tempo devem preservá-la das ervas-daninhas, das pragas, da seca e das enchentes.

Sem esquecer jamais o adubo do amor.

A alma da criança que cresce sem esses cuidados básicos, por parte dos adultos, geralmente se torna campo tomado pelas ervas más dos vícios de toda ordem.

E, de todas as ervas más, as mais perigosas são o orgulho e o egoísmo, pois são as que dão origem às demais.

Por isso a importância dos cuidados desde cedo.

E para se ter êxito nessa missão de jardineiro de almas, é preciso atenção, dedicação, persistência, determinação.

O campo espiritual exige sempre o empenho do amor do jardineiro para que possa produzir bons resultados.

E o empenho do amor muitas vezes exige alta dose de renúncia e de coragem.

Coragem de renunciar aos próprios vícios para dar exemplos dignos de serem seguidos.

Os jardins da alma infantil são férteis e receptivos aos ensinamentos que percebem nas ações dos adultos.

 Por essa razão, vale a pena dedicar tempo no cultivo das virtudes, antes que as sementes de ervas-daninhas sejam ali jogadas, nasçam e abafem a boa semente.

Para que você seja um bom cultivador de almas é preciso que tenha, na sua sementeira interior, as mudinhas das virtudes.

Somente quem possui pode oferecer.

Somente quem planta pode colher.

Pense nisso, e seja um cultivador de virtudes.



Redação do Momento Espírita