sexta-feira, 4 de julho de 2014

Saudade é o Amor que fica !


SAUDADE É O AMOR QUE FICA!
 
UMA HISTÓRIA VERDADEIRA


Um anjo que por mim passou.

Médico cancerologista, já calejado com longos 29 anos de atuação profissional, com toda vivencia e experiência que o exercício da medicina nos traz, posso afirmar que cresci e me modifiquei com os dramas vivenciados pelos meus pacientes. 

Dizem que a dor é quem ensina a gemer. 

Não conhecemos nossa verdadeira dimensão, até que, pegos pela adversidade, descobrimos que somos capazes de ir muito mais além. 

Descobrimos uma força mágica que nos ergue, nos anima, e não raro, nos descobrimos confortando aqueles que vieram para nos confortar.  

No início da minha vida profissional, senti-me atraído em tratar crianças, me entusiasmei com a oncologia infantil. 

Tinha, e tenho ainda hoje, um carinho muito grande por crianças. 

Elas nos enternecem e nos surpreendem como suas maneiras simples e diretas de ver o mundo, sem meias verdades. 

Nós médicos somos treinados para nos sentirmos "deuses". 

Só que não o somos! 

Não acho o sentimento de onipotência de todo ruim, se bem dosado. 

É este sentimento que nos impulsiona,  que nos ajuda a vencer desafios, a se rebelar contra a morte e a tentar ir sempre mais além. 

Se mal dosado, porém, este sentimento será de arrogância e prepotência, o que não é bom. 

Quando perdemos um paciente, voltamos à planície, experimentamos o fracasso e os limites que a ciência nos impõe e entendemos que não somos deuses. 

Somos forçados a reconhecer nossos limites! 

Recordo-me com emoção do Hospital do Câncer de Pernambuco, onde dei meus primeiros passos como profissional. 

Nesse hospital, comecei a frequentar a enfermaria infantil, e a me apaixonar pela oncopediatria. 

Mas também comecei a vivenciar os dramas dos meus pacientes, particularmente os das crianças, que via como vítimas inocentes desta terrível doença que é o câncer. 

Com o nascimento da minha primeira filha, comecei a me acovardar ao ver o sofrimento destas crianças. 

Até o dia em que um anjo passou por mim. 

Meu anjo veio na forma de uma criança já com 11 anos, calejada  porém  por dois longos anos de tratamentos os mais diversos, hospitais, exames, manipulações, injeções, e todos os desconfortos trazidos pelos programas de quimioterapias e radioterapia. 

Mas nunca vi meu anjo fraquejar. 

Já a vi chorar sim, muitas vezes, mas não via fraqueza em seu choro. 

Via medo em seus olhinhos algumas vezes, e isto é humano!  

Mas via confiança e determinação. 

Ela entregava o bracinho à enfermeira, e com uma lágrima nos olhos dizia:-
– Faça tia, é preciso para eu ficar boa. 

Um dia, cheguei ao hospital de manhã cedinho e encontrei meu anjo sozinho no quarto. 

Perguntei pela mãe. 

E comecei a ouvir uma resposta que ainda hoje não consigo contar sem vivenciar profunda emoção. 

Meu anjo respondeu:-
– Tio, disse-me ela, às vezes minha mãe sai do quarto para chorar escondido  nos corredores. 

Quando eu morrer, acho que ela vai ficar com muita saudade de mim. 

Mas eu não tenho medo de morrer, tio. 

Eu não nasci para esta vida! 

Pensando no que a morte representava para crianças, que assistem seus heróis morrerem e ressuscitarem nos seriados e filmes, indaguei:-
– E o que a morte representa para você, minha querida?

– Olha tio, quando a gente é pequena, às vezes, vamos dormir na cama do nosso pai e no outro dia acordamos no nosso quarto, em nossa própria cama não é? 

(Lembrei minhas filhas, na época crianças de 6 e 2 anos, costumavam dormir no meu quarto e após dormirem eu procedia exatamente assim.) 

– É isso mesmo, e então?

– Vou explicar o que acontece, continuou ela:-
- Quando nós dormimos, nosso pai vem e nos leva nos braços para o nosso quarto, para nossa cama, não é?

– É isso mesmo querida, você é muito esperta!

– Olha tio, eu não nasci para esta vida! 

Um dia eu vou dormir e o meu Pai vem me buscar. 

Vou acordar na casa Dele, na minha vida verdadeira!

Fiquei "entupigaitado". 

Boquiaberto, não sabia o que dizer. 

Chocado com o pensamento deste anjinho, com a maturidade que o sofrimento acelerou, com a visão e grande espiritualidade desta criança, fiquei parado, sem ação. 

– E minha mãe vai ficar com muitas saudades minha, emendou ela. 

Emocionado, travado na garganta, contendo uma lágrima e um soluço, perguntei ao meu anjo:- 
– E o que a saudade significa para você, minha querida?
– Não sabe não tio?  

Saudade é o amor que fica!

Hoje, aos 53 anos de idade, desafio qualquer um dar uma definição melhor,  mais direta e mais simples para a palavra saudade:-
- É o amor que fica! 

- Um anjo passou por mim...

Foi enviado para me dizer que existe muito mais entre o céu e a terra, do que nos permitimos enxergar. 

Que geralmente, absolutilizamos tudo que é relativo (carros novos, casas, roupas de grife, jóias) enquanto relativizamos a única coisa absoluta que temos, nossa transcendência. 

Meu anjinho já se foi, há longos anos. 

Mas deixou uma grande lição, vindo de alguém que jamais pensei, por ser criança e portadora de grave doença, e a quem nunca mais esqueci. 

Deixou uma lição que ajudou a melhorar a minha vida, a tentar ser mais humano e carinhoso  com meus doentes, a repensar meus valores. 

Hoje, quando a noite chega e o céu está limpo, vejo uma linda estrela a quem chamo "meu anjo, que brilha e resplandece no céu. 

Imagino ser ela, fulgurante em sua nova e eterna casa. 

Obrigado anjinho, pela vida bonita que teve, pelas lições que ensinastes, pela ajuda que me destes. 

Que bom que existe saudades! 

O amor que ficou é eterno!!!


Rogério Brandão 
 Médico Oncologista 
 

Trajetória de Vida



 Trajetória de Vida

No processo de  aprendizado, a pessoa tem momentos de profunda reflexão na busca do significado de sua existência:-
- Quem eu sou ?
- De onde eu vim ?
- Porque estou aqui ?
- Para onde eu vou ?

São perguntas cujas respostas são essenciais para o indivíduo deixar de ser passageiro do mundo imediato e se transformar em agente consciente e consequente do seu processo de vida, passando, dessa forma, a planejar sua evolução.

A proposta da Doutrina Espírita é tentar fornecer instrumentos e instruções para que se possa compreender e construir a pluralidade de caminhos que compõe a trajetória de vida. 
 
Portanto, é fundamental conhecer as alternativas existentes e ter consciência clara - sabedoria — dos caminhos que podem ser escolhidos.

É muito importante, ao se falar em trajetória de vida, conceituar passado, presente, futuro e referencial de vida.

O passado são os acontecimentos vividos, experiências acumuladas. 

O presente é o que a pessoa é e o que ela faz. 

Ao agir, o homem faz transformações — "quem não age não é" (Antonio Grimm). 
 
O futuro é a expectativa do que a pessoa quer ser.


O presente da pessoa possui suas bases no somatório das suas experiências e vivências, portanto é um resultado único e individual. 

A observação plena, racional e intensa do presente possui profundo significado para o homem.


“Viver o presente, analisá-lo, pesquisá-lo é dar a dimensão do Universo à vida do homem” (Antonio Grimm).

A Doutrina Espírita promove o processo sustentável de vida por meio do encontro do homem consigo mesmo; ou seja, aquele que vive somente os acontecimentos do passado, ou apenas as expectativas do futuro, não vive o presente, portanto não age e não transforma.


A análise do passado, do presente e do futuro é feita de acordo com determinado referencial de vida. 

Para a Doutrina Espírita, referencial de vida é um sistema de valores utilizado como parâmetro de avaliação crítica das decisões, das ações e do comportamento.

Pode-se tentar traduzir a idéia de referencial de vida usando o seguinte exemplo:-
- Uma pessoa decidiu viajar. 

Viajar é uma experiência bastante interessante que permite conhecer outros lugares, pessoas e viver momentos novos. 

Ou seja, viajar é uma oportunidade de aprendizagem. 

 Se esta viagem for planejada previamente, levando-se em conta as experiências anteriores da pessoa, acrescida das suas preferências e tendências atuais, além de se considerar as informações e indicações dos lugares a serem visitados, com certeza a viagem será mais condizente com as expectativas. 


O planejamento permitirá a escolha de caminhos mais objetivos e, o que é muito importante, servirá como referência caso, por engano, a pessoa saia do trajeto que escolheu. 

Entretanto, supondo-se que a pessoa não fez o planejamento prévio, deixando para o momento e para o acaso a escolha do caminho a ser tomado, a probabilidade da viagem não ser satisfatória será maior. 

Corre-se o risco de levar a trajetos perigosos, muitas vezes difíceis e penosos. 

Todo este cenário pode ser agravado pela falta de um ponto de referência para saber se a pessoa está se aproximando ou se afastando do objetivo desejado.

Dessa forma, a trajetória de vida de um indivíduo pode ser encarada como uma viagem do espírito a várias culturas, lugares, momentos, situações, desafios, funções e oportunidades. 

A abordagem da vida como trajetória e a utilização do referencial como ferramenta são muito úteis na otimização da evolução de cada pessoa. 

É importante estar reavaliando continuamente o referencial, transformando-o e corrigindo-o.

O sistema referencial proposto pela Doutrina Espírita traz alguns conceitos tais como:-
- Capital de vida, 
- História de vida, 
- Inventário de vida, 
- Projeto de vida.
Capital de vida é a duração potencial, a quantidade de tempo disponível pelo espírito para construção de sua trajetória no polissistema material.
História de vida é a resultante singular e universal do somatório contínuo de experiências vividas e convividas pelo espírito.
Inventário de vida é o levantamento e avaliação de valores agregados pelo espírito ao longo de sua trajetória; coleção do resultado de suas experiências.
Projeto de vida é a construção da trajetória de vida do indivíduo na expectativa do que ele quer ser - projeto de construção do ser na ação de sua consciência.
O objetivo da vida é a evolução. 
Como evolução é um processo, a vida é necessariamente aberta, não há destino. 

A trajetória de vida é construída pela pessoa ao desenvolver os seus potenciais e superar os seus limites.
Resumindo, trajetória de vida é um caminho construído livremente pelo espírito ao interagir de forma consciente e consequente consigo mesmo, com os outros, com a natureza, com o Universo.
Fonte: Sociedade Brasileira de Estudo Espírita 
SBEE

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Tudo o que gosto !!!



 Tudo o que gosto !!!

Gosto dos dias nublados.

Gosto do jeito que as nuvens desaguam, o barulho dos trovões, os pingos que caem no palácio e na favela, no mar e na calçada, nas pessoas que correm em busca de abrigo, param sob algum toldo de loja, depois se secam e vão.

Gosto do jeito como as crianças falam.

Gosto dos tons, da falta de escudos, do jeito simples que fazem perguntas, que acham engraçado, que puxam conversa, da credulidade inocente, do olhar confiante.

Gosto dos pássaros.

Não me canso de admirar como voam, especialmente os maiores, com tanta segurança e habilidade.

Sempre que vejo um deles planando, tento ir junto, acompanhando com os olhos e, confesso, com uma ponta de inveja.

Adoraria ter asas !

Gosto da capacidade humana de realizar coisas belas.

Uma música, o despretensioso cantarolar da senhora sentada em frente de casa vendo o neto brincar, um quadro, por mais simples que seja, um texto, uma poesia, expressões de humanidade que sempre me encantam.

Gosto de dirigir na estrada.

Não me importo em dirigir longas distâncias, enquanto admiro a paisagem, conheço lugares que não conhecia, revejo outros que já tinha visto, tentando enxergar algo diferente.

Gosto do silêncio da madrugada.

Quando tudo se aquieta, fica mais fácil perceber a fragilidade que nos nivela, corpos entregues ao sono, expostos, quietos, recompondo-se para o dia que daqui a pouco virá.

Gosto de enxergar pacificação no olhar de alguém que está chegando ao fim da velhice e não perdeu a doçura, nem a esperança, nem a capacidade de se alegrar.

Isso me encanta !

Gosto de vento, de abraço, de fazer caminhada, de ler, de praia, de montanha, de avião, de mingau de aveia, de viajar, de pizza com arroz, de cheiro de grama, de escrever, de água com gás, de livrarias, de café, de árvore, de rádio, de frio ...

Gosto de saber que tudo o que gosto encontra ressonância em algum lugar dentro de mim e reflete lá fora o que na verdade me habita.

Sei que não são os dias nublados, nem as crianças, nem os pássaros, nem a capacidade humana de realizar coisas belas, nem dirigir na estrada, nem o silêncio da madrugada, nem a pacificação no olhar dos idosos, nada disso tem significado próprio a não ser que seja iluminado por minha consciência.

É o olhar que carrega a vida de beleza, como uma janela que permite o fluxo de dentro para fora, imantando a existência, apreendendo significados, tingindo de cores, de cheiros, de tons, vinculando cada movimento de fora ao que sou, a quem sou, a qual ponto do caminho estou.

E então me enxergo projetado na vida, em tudo o que vive, aquele que sou, tão claro, tão nítido, impresso em tudo o que gosto.




blogdoflaviosiqueira@gmail.com 


Tudo o que gosto | Blog do Flavio Siqueira

flaviosiqueira.com/2014/06/26/tudo-o-que-gosto/

Diante do Mundo


Diante do Mundo

Ante os pesares do mundo,
Observa, alma querida,
A dor que ilumina a vida,
Sob as provas, tais quais são...
A Terra é uma grande escola
De que temos o usufruto,
Lembrando enorme instituto
De trabalho e elevação.

Nascemos e renascemos,
Atendendo a leis concisas,
Conforme as lições precisas
Que temos nós para dar;
No serviço que nos cabe,
Naqueles com quem vivemos,
Jazem os pontos supremos
De nosso próprio lugar.

Nas tarefas em que estejas,
Cumpre o dever que te assiste,
Se a vida parece triste,
Não te queixes de ninguém...
Cada pessoa na Terra
Intimamente é chamada
A servir, de estrada à estrada,
Para a vitória do bem.

O homem robusto e moço
Que administra a riqueza,
Traz, por vezes, rude e acesa,
A fogueira da aflição;
A mulher que exibe ao colo
A cruz em jóias e luzes,
Às vezes tem muitas cruzes
Por dentro do coração.

Nunca censures. 
Trabalha,
Crê, auxilia e não temas.
Cada qual guarda problemas,
Em forma de sombra e dor.
Quem mais serve e mais perdoa
É aquele que se renova,
Vencendo, de prova em prova,
Na grande escola do amor.

   
Livro:- Coração e Vida
   Maria Dolores
  Francisco Cândido Xavier

quarta-feira, 2 de julho de 2014

O Auxílio Virá


 O Auxílio Virá

O problema que te preocupa talvez te pareça excessivamente amargo ao coração.

E tão amargo que talvez não possas comentá-lo, de pronto.

Às vezes, a sombra interior é tamanha que tens a idéia de haver perdido o próprio rumo.


Entretanto, não esmoreças.


Abraça o dever que a vida te assinala.


Serve e ora.


A prece te renovará energias.


O trabalho te auxiliará.


Deus não nos abandonará.


Fazê silêncio e não te queixes.


Alegra-te e espera porque o Céu te socorrerá.


Por meios que desconheces, Deus permanece agindo.


                                          Emmanuel  
                                            Francisco Cândido Xavier

Não Desanime !!!!



Não Desanime !!!!

Quando você se observar, à beira do desânimo, acelere o passo para frente, proibindo-se parar.

Ore, pedindo a Deus mais luz para vencer as sombras.

Faça algo de bom, além do cansaço em que se veja.

Leia uma página edificante, que lhe auxilie o raciocínio na mudança construtiva de idéias.

Tente contato de pessoas, cuja conversação lhe melhore o clima espiritual.

Procure um ambiente, no qual lhe seja possível ouvir palavras e instruções que lhe enobreçam os pensamentos.

Preste um favor, especialmente aquele favor que você esteja adiando.

Visite um enfermo, buscando reconforto naqueles que atravessam dificuldades maiores que as suas.

Atenda às tarefas imediatas que esperam por você e que lhe impeçam qualquer demora nas nuvens do desalento.

Guarde a convicção de que todos estamos caminhando para adiante, através de problemas e lutas, na aquisição de experiência, e de que a vida concorda com as pausas de refazimento das nossas forças, mas não se acomoda com a inércia em momento algum.

André Luiz
Francisco Cândido Xavier
 

terça-feira, 1 de julho de 2014

A Palavra Sincera


A Palavra Sincera

Você sabia que a palavra sincera foi criada pelos romanos?

Eles fabricavam certos vasos com uma cera especial tão pura e perfeita que os vasos se tornavam transparentes.

Em alguns casos era possível distinguir os objetos guardados no interior do vaso.

Para um vaso assim, fino e límpido, diziam os romanos:-
- Como é lindo! 

Parece até que não tem cera!

Sine cera queria dizer sem cera, uma qualidade de vaso perfeito, finíssimo, delicado, que deixava ver através de suas paredes.

Com o tempo, o vocábulo sine cera se transformou em sincero e passou a ter um significado relativo ao caráter humano.

*   *   *

Sincero é aquele que é franco, leal, verdadeiro, que não oculta, que não usa disfarces, malícias ou dissimulações. 

A pessoa sincera, à semelhança do vaso, deixa ver, através de suas palavras, os nobres sentimentos de seu coração.

Assim, procuremos a virtude da sinceridade em nossos corações. Sim, pois na forma de potencialidade, ela está lá, aguardando o momento em que iremos despertá-la e cultivá-la em nossos dias.

Se buscamos a riqueza do Espírito, esculpindo seus valores ao longo do tempo, devemos lembrar da sinceridade, desse revestimento que nos torna mais límpidos, mais delicados.

Por que razão ocultar a verdade, se é a verdade que nos liberta da ignorância?

Por que razão usar disfarces, se cedo ou tarde eles caem e seremos obrigados a enfrentar as consequências funestas da mentira?

Por que razão dissimular, se não desejamos jamais ouvir a dissimulação na voz das pessoas que nos cercam?

Quem luta para ser sincero conquista a confiança de todos, e por consequência seu respeito, seu amor.

Quem é sincero jamais enfrentará a vergonha de ser descoberto em falsidades.

Quem luta pela sinceridade é defensor da verdade do Cristo, a verdade que liberta.

*   *   *

Sejamos sinceros, lembrando sempre que essa virtude é delicada, é respeitosa, jamais nos permitindo atirar a verdade nos rostos alheios como uma rocha cortante.

Sejamos sinceros como educadores de nossos filhos. 

Primemos pela honestidade ensinando-lhes valores morais, desde cedo, principalmente através de nossos exemplos.

Sejamos sinceros e conquistemos as almas que nos cercam.

Sejamos o vaso finíssimo que permite, a quem o observa, perceber seu rico conteúdo.

Sejamos sinceros, defensores da verdade acima de tudo, e carreguemos conosco não o fardo dos segredos, das malícias, das dissimulações, mas as asas da verdade que nos levarão a voos cada vez mais altos.

Por fim, lembremo-nos do vaso transparente de Roma, e procuremos tornar assim o nosso coração.

Redação do Momento Espírita
 com base no texto
A palavra sincera
 de Malba Tahan
Em 16.10.2013

Paciência e Nós

 
Quando as dificuldades atingem o apogeu, induzindo os companheiros mais valorosos a desertarem da luta pelo estabelecimento das boas obras, e prossegues sob o peso da responsabilidade que elas acarretam, na convicção de que não nos cabe descrer da vitória final...

Quando os problemas se multiplicam na estrada, pela invigilância dos próprios amigos, e te manténs, sem revolta, nas realizações edificantes a que te consagras...

Quando a injúria te espanca o nome, procurando desmantelar-te o trabalho, e continuas fiel às obrigações que abraçaste, sem atrasar o serviço com justificações ociosas...

Quando tentações e perturbações te ameaçam as horas, tumultuando-te os passos, e caminhas à frente, sem reclamações e sem queixas...

Quando te é lícito largar aos ombros de outrem a carga de atribuições sacrificiais que te assinala a existência, e não te afastas do serviço a fazer, entendendo que nenhum esforço é demais em favor do próximo...

Quando podes censurar e não censuras, exigir e não exiges...

Então, terás levantado a fortaleza da paciência no reino da própria alma.

Nem sempre Passividade significa Resignação Construtiva.

Raramente pode alguém demonstrar confor-midade, quando se encontre sob os constrangimentos da provação.

Paciência, em verdade, é perseverar na edifi-cação do bem, a despeito das arremetidas do mal, e pros-seguir corajosamente cooperando com ela e junto dela, quando nos seja mais fácil desistir.