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quinta-feira, 5 de julho de 2012

Vista Cansada


Acho que foi o Hemingway quem disse que olhava cada coisa à sua volta como se a visse pela última vez.
Pela última ou pela primeira vez? 
Pela primeira vez foi outro escritor quem disse.
Essa idéia de olhar pela última vez, tem algo de deprimente. 
Olhar de despedida, de quem não crê que a vida continua, não admira que o Hemingway tenha acabado como acabou.
 Fugiu enquanto pode, do desespero que o roía – e daquele tiro brutal.
 Se eu morrer, morre comigo um certo modo de ver, disse o poeta.
  Um poeta é só isto:-
- um certo modo de ver.
O diabo é que, de tanto ver, a gente banaliza o olhar. 
Vê não vendo.
Experimente ver pela primeira vez o que você vê todo dia, sem ver. 
Parece fácil, mas não é.
O que nos cerca, o que nos é familiar, já não desperta curiosidade.
O campo visual da nossa rotina é como um vazio.
Você sai todo dia, por exemplo, pela mesma porta. 
Se alguém lhe perguntar o que é que você vê no seu caminho, você não sabe.
De tanto ver, você não vê. 
Sei de um profissional que passou 32 anos a fio pelo mesmo hall do prédio do seu escritório.
Lá estava sempre, pontualíssimo, o mesmo porteiro.
Dava-lhe bom dia e, às vezes, lhe passava um recado ou uma correspondência. 
Um dia o porteiro cometeu a descortesia de falecer.
Como era ele? 
Sua cara? 
Sua voz? 
Como se vestia? 
Não fazia a mínima idéia.
Em 32 anos, nunca o viu.
Para ser notado, o porteiro teve que morrer!
 
Se um dia no seu lugar estivesse uma girafa, cumprindo o rito, pode ser que também ninguém desse  por sua ausência.
O hábito suja os olhos e lhes baixa a voltagem.
Mas há sempre o que ver. 
Gente, coisas, bichos. 
E vemos? 
Não, não vemos.
Uma criança vê o que o adulto não vê. 
Tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo.
O poeta é capaz de ver pela primeira vez o que, de tão visto, ninguém vê.
Há pai que não vê o próprio filho. 
Marido que nunca viu a própria mulher, isso existe às pampas.
Nossos olhos se gastam no dia-a-dia, opacos. 
É por aí que se instala no coração o monstro da indiferença.
FORMATAÇÃO: MARIA OLÍVIA

 
FOTOS DA INTERNET

TEXTO DE OTTO LARA RESENDE
Recebido por e-mail da 
Amiga Regynna Paula

 "Acho difícil que um indivíduo contemplando o céu, possa dizer que não existe um Criador"

Abrahan  Lincoln

 


 
                                                      
 

sábado, 24 de março de 2012

Ver vendo





"Ver vendo"



Quantas vezes passei por locais maravilhosos e não me dei conta de suas existências...

Quantas vezes disse Bom Dia e não olhei os olhos a quem cumprimentava...

Quantas vezes as oportunidades bateram à minha porta e eu deixei de aproveitá-las, de lhes dar o devido valor, por estar preocupado com um amanhã material, que poderia não se concretizar, esquecendo algo do agora, do olhar em volta, do sentir o cheiro das coisas...


Do não perceber o perfume das flores ou o sabor dos vinhos...

Do ter prazer em olhar o brilho da Lua refletindo o Sol...

Da alegria do sorriso de uma criança - honesto, simples e verdadeiro - ao ganhar uma pequena lembrança  ou um doce ou uma palavra de amor e  de carinho...

Dei-me conta do que estou perdendo por me preocupar tanto...

Do querer viver hoje um amanhã que não me pertence...

Dei-me conta de que preciso olhar e ver...

"Ver Vendo"...

 ...De tanto ver, a gente banaliza o olhar... 

Vê não-vendo...


Experimente ver pela primeira vez o que você vê todo dia, sem ver...

Parece fácil, mas não é...

O que nos cerca, o que nos é familiar, já não desperta curiosidade...

O campo visual da nossa rotina já nos é como um vazio...

Você sai todo dia, por exemplo, pela mesma porta...

 Se alguém lhe perguntar o que você vê no seu caminho, você não sabe...

De tanto ver, você não vê...


O hábito suja os olhos e lhes baixa a voltagem...

Mas há sempre o que ver...

Gente, coisas, bichos...

E vemos?...

Não, não vemos...

Uma criança vê, o que um adulto não vê...

Tem olhos autênticos e limpos para o espetáculo do mundo...

O poeta é capaz de ver pela primeira vez, o que, de tão visto, ninguém vê...


Há pai que nuca vê o próprio filho...

Marido que nunca vê a própria mulher (e desconhece os seus segredos e desejos), isso existe às pampas...

Nossos olhos se gastam no dia a dia, opacos...


É por aí que se instala no coração, a indiferença...


Otto Lara Rezende

www.otimismoemrede.com

Música:- True Love
Montagem:-
maricarusocunha@terra.com.br
www.pranos.com.br