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terça-feira, 13 de junho de 2017

No LIMIAR entre A VIDA e a MORTE ! O que SENTIMOS nesse MOMENTO ?


No Limiar entre a vida e a morte !!!


Para mim, meu caro filho, as últimas impressões da existência terrena e os primeiros dias transcorridos depois da morte foram muito amargos e dolorosos.

Quero crer que a angústia, que naquele momento avassalou a minh’alma, originou-se da profunda mágoa que me ocasionava a separação do lar e dos afetos familiares, pois, apesar de crer na imortalidade, sempre enchiam-me de pavor de crer na imortalidade, sempre enchiam-me de pavor os aparatos da morte; e dentro do catolicismo, que eu professava fervorosamente, atemorizava-me a perspectiva de uma eterna ausência.

Lutei, enquanto me permitiram as forças físicas, contra a influência aniquiladora do meu corpo; mas foi uma luta singular a que sustentei, como sói acontecer aos corações maternos, quando periga a tranquilidade dos seus filhos. 

Unicamente esse amor obrigava-me ao apego à vida, porque os sofrimentos, que já havia experimentado, desprendiam-me de todo o prazer que ainda pudesse me advir das coisas terrestres.

Desejava orar... 


Todavia, os pensamentos não conseguiam obedecer-me, dispersos pela confusão estabelecida em meu mundo interior, em virtude dos padecimentos que me percorriam os centros da atividade orgânica; e a minha vontade era semelhante a uma voz de comando, totalmente desobedecida por elementos rebeldes e indisciplinados.

Hoje sei que naqueles angustiosos momentos muitos seres se conservavam, embora intangíveis, ao meu lado, amparando-me com os seus braços tutelares e compassivos, porém não os distinguia.


Sentia-me sucumbir lentamente... 


A princípio, gemidos de sofrimento escapavam-se do meu peito torturado, compreendendo a ineficácia dos esforços que fazia para não morrer; mas tão rude era aquela suprema tentativa de resistência, que me abandonei, finalmente, àquelas forças poderosas e invencíveis que me subjugavam..

Livro:- Cartas de uma morta
Maria João de Deus
Chico Xavier

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Celina


Celina

Quando elevamos ao céu nosso olhar suplicante, há para todos nós, os que se afligem na provação, uma carinhosa e compassiva Mãe que nos ampara e consola...

Compadece-se de nossa dor, contempla-nos com misericórdia e manda-nos então o anjo da sua bondade, para balsamizar nossos padecimentos...

É Celina, a suave mensageira da Virgem, a Mãe de todas as mães, o gênio tutelar da humanidade sofredora...

Quando o pranto aflora nos olhos das que são filhas e irmãs, das que são esposas e mães na Terra, no coração das quais, muitas vezes, se concentra a amargura, vem Celina e toma-as nos seus braços de névoa resplandecente e, através dos ouvidos da consciência, lhes diz com brandura:

“Veio a dor bater à vossa porta? 


Coragem... 

Não desanimeis nas ásperas lutas que objetivam vosso aprimoramento moral. 

Pensai nAquela que teve sua alma recortada de martírios, lacerada de sofrimentos, atormentada de angústias.

Ela se desvela do céu por todas aquelas almas que escolheram sua pegadas de Mãe amorosa e compassiva.

Foi ela que, escutando a oração de vossa fé, me enviou para que eu vos desse as flores de seu amor sacrossanto, portadoras da paz, da humildade e, sobretudo, da paciência:- 

- Porque o acaso não existe e tudo na vida obedece a uma lei inteligente de causalidade que foge aos vossos olhos, que se sentem impossibilitados de ver toda a verdade:-
- Tomai minhas mãos!

Cumpri austeramente, fechai vossos olhos àquilo que pode obstar vossos passos para a luz e caminhai comigo. 


Os anos são minúsculas frações de tempo e, um dia, sem vos deterdes com o cansaço, chegareis ao pé dAquela que é vossa Mãe desvelada de todos os instantes!...”

E todas aquelas que ouvem, sentem-se sustentadas por braços tutelares, na noite escura das dores, e vertendo lágrimas amargosas, preparam-se e se iluminam na pedregosa senda da virtude para respirar os ares felizes do encantado país onde desabrocham os lírios maravilhosos da esperança!

Livro:- Mãe
Maria João de Deus
Francisco Cândido Xavier

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

História de uma Reencarnação


 Histórias de uma Reencarnação

Experimentei nessas sensações de volta ao passado o vácuo de meu coração envenenado pela atração dos gozos mundanos, antes de retornar ao orbe para minha derradeira encarnação; vi-me como um ser errante, sem destino, cruxificado pelo isolamento e pela condenação da consciência poluta.

Perambulando, mas retida no mesmo lugar como se fora chumbada ao solo, encontrei alguém que reconheci ser um espírito querido à minha existência.

Aproximei-me, então, depois de longa ausência, daquela que me serviu de mãe, a quem conheceste.

Como me sensibilizou vê-la naquela situação de humildade, lutando com mil asperezas num destino de pobreza ingrata !

Acerquei-me daquela jovem de faces maceradas nos trabalhos e lembrei as alegrias mentirosas de que fomos partícipes no passado.

Tive ímpetos de incitá-la a abandonar as tristezas da sua vida material, mas uma voz imperiosa ordenou que me prostrasse de joelhos.

Contemplei genuflexa o seu semblante cheio de serena grandeza no infortúnio e chorei, chorei, muito, exclamando:-
-"Oh !
- Tu que já sorveste comigo, na taça das efêmeras felicidades da Terra, o mesmo vinho de envenenado sabor, e que hoje resgatas na túnica dos pobres e dos humilhados, as dívidas de outrora, ajuda-me em meus bons desejos !...

Eu quero também esconder nos trapos da plebe anônima e sofredora as úlceras da minha enorme desdita.

Lavarei com lágrimas as nódoas da minha consciência.

Seja eu sangue do teu sangue, carne da tua carne !

Dá-me das tuas vestes e das tuas preocupações, dá-me dessas dores que hoje te crucificam e desses desgostos que desfazem os teus enganos e ilusões, porque só eles, só esses sofrimentos salvadores, balsamizarão as minhas feridas, devolvendo-me a paz consoladora.

Recebe-me, oh espírito bem amado, afaga-me em teu carinhoso regaço para eu adormecer esquecendo ! ...

Eu tenho necessidade de olvido numa luta nova ! ..."

Nessas rogativas sinceras, vi que o rosto daquela mulher se cobria de lágrimas; pensamentos tristes e amargosos envolviam-me.

É que os meus apelos repercutiram no seu coração.

Chorando, chorando, senti-me exausta de forças, sem poder erguer-me da prostração; vibrações de uma brisa misteriosa varriam, entretanto, do meu cérebro esgotado, as mágoas e as preocupações.

Eu perdia a consciência de mim mesma ...

È que dava o primeiro passo para o meu renascimento na Terra e, segundo os meus desejos, aquela mulher me recebia em seu seio para, igual a ela, sorver o fel da provação redentora e, imitando-a,  fui também mãe para sofrer e me redimir.
 


***
Livro:- Cartas de Uma Morta
 
Espírito: Maria João de Deus
 
Médium: Chico Xavier



(a) RONALDO COSTA 
 
O Arrebol Espírita