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sexta-feira, 27 de abril de 2012

Vocabulário Feminino!



"Aprendendo a ser Feliz!"


Se eu tivesse que escolher uma palavra - apenas uma - para ser item obrigatório no vocabulário da mulher de hoje, essa palavra seria um verbo de quatro sílabas:-
- descomplicar.

Depois de infinitas (e imensas) conquistas, acho que está passando da hora de aprendermos a viver com mais leveza:-
- exigir menos dos outros e de nós próprias,
- cobrar menos, 
- reclamar menos, 
- carregar menos culpa, 
- olhar menos para o espelho.


Descomplicar talvez seja o atalho mais seguro para chegarmos à tão falada qualidade de vida que queremos - e merecemos - ter.


 Mas há outras palavras que não podem faltar no kit existencial da mulher moderna. 

Amizade, por exemplo.

Acostumadas a concentrar nossossentimentos (e nossa energia...) nas relações amorosas, acabamos deixando as amigas em segundo plano.


E nada, mas nada mesmo, faz tão bem para uma mulher quanto a convivência com as amigas.

Ir ao cinema com elas  (que gostam dos mesmos filmes que a gente), sair sem ter hora para voltar, compartilhar uma caipivodca de morango e repetir as histórias que já nos contamos mil vezes - isso, sim, faz bem para a pele.


Para a alma, então, nem se fala. 


Ao menos uma vez por mês, deixe o marido ou o namorado em casa, prometa-se que não vai ligar para ele nem uma vez
(desligue o celular, se for preciso) e desfrute os prazeres que só uma boa amizade consegue proporcionar.


E, já que falamos em desligar o celular, incorpore ao seu vocabulário duas palavras que têm estado ausentes do cotidiano feminino:-
- pausa e silêncio.


Aprenda a parar, nem que seja por cinco minutos, três vezes por semana, duas vezes por mês, ou uma vez por dia - não importa - e a ficar em silêncio. 


Essas pausas silenciosas nos permitem refletir, contar até 100 antes de uma decisão importante, entender melhor os próprios sentimentos, reencontrar a serenidade e o equilíbrio quando é preciso.


Também abra espaço, no vocabulário e no cotidiano, para o verbo rir.

Não há creme anti-idade nem botox que salve a expressão de uma mulher mal-humorada.

Azedume e amargura são palavras que devem ser banidas do nosso dia a dia.

Se for preciso, pegue uma comédia na locadora, preste atenção na conversa de duas crianças, marque um encontro com aquela amiga engraçada - faça qualquer coisa, mas ria.

O riso nos salva de nós mesmas, cura nossas angústias e nos reconcilia com a vida.


Quanto à palavra dieta, cuidado:-
- mulheres que falam em regime o tempo todo costumam ser péssimas companhias. 


Deixe para discutir carboidratos e afins no banheiro feminino ou no consultório do endocrinologista...

Nas mesas de restaurantes, nem pensar. 


Se for para ficar contando calorias, descrevendo a própria culpa e olhando para a sobremesa do companheiro de mesa com reprovação e inveja, melhor ficar em casa e desfrutar sua salada de alface e seu chá verde sozinha.


Uma sugestão?

Tente trocar a obsessão pela dieta por outra palavra que, essa sim, deveria guiar nossos atos 24 horas por dia:-
- gentileza.


Ter classe, não é usar roupas de grife:- é ser delicada.

Saber se comportar é infinitamente mais importante do que saber se vestir. 


Resgate aquele velho exercício que anda esquecido:-
- aprenda a se colocar no lugar do outro, e trate-o como você gostaria de ser tratada,
- seja no trânsito, 
- na fila do banco, 
- na empresa onde trabalha, 
- em casa, 
- no supermercado,
- na academia.


E, para encerrar, não deixe de conjugar dois verbos que deveriam ser indissociáveis da vida:-
- sonhar e recomeçar. 


Sonhe com:-
- aquela viagem ao exterior, 
- aquele fim de semana na praia,
- o curso que você ainda vai fazer, 
- a promoção que vai conquistar um dia,
- aquele homem que um dia (quem sabe?) ainda vai ser seu, - sonhe que está beijando o Brad Pitt ... 
- sonhar é quase fazer acontecer.

Sonhe até que aconteça...


E recomece, sempre que for preciso:-
- seja na carreira, 
- na vida amorosa, 
- nos relacionamentos familiares.

A vida nos dá um espaço de manobra:-
-  use-o para reinventar a si mesma.


E, por último (agora, sim, encerrando), risque do seu Aurélio a palavra perfeição.


O dicionário das mulheres interessantes inclui fragilidades, inseguranças, limites.


Pare de brigar com você mesma para ser a mãe perfeita, a dona de casa impecável, a profissional que sabe tudo, a esposa nota mil. 


Acima de tudo, elimine de sua vida o desgaste que é:-
- tentar ter coxas sem celulite,
- rosto sem rugas, 
- cabelos que não arrepiam, 
- bumbum que encara qualquer biquíni.

Mulheres reais são mulheres imperfeitas.

E mulheres que se aceitam como imperfeitas são mulheres livres.

Viver não é ( e nunca foi ) fácil, mas, quando se elimina o excesso de peso da bagagem ( e a busca da perfeição pesa toneladas), a tão sonhada felicidade fica muito mais possível.


                                      Leila Ferreira
 
Leila Ferreira é uma jornalista mineira com mestrado em Letras e doutora em Comunicação, em Londres.
Apesar disso, optou por viver uma vidinha mais simples, em Belo Horizonte...Minas Gerais...Brasil.

Mensagem recebida por e-mail do
Amigo Arlei

Até que ponto vamos aguentar?

 

Estamos obcecados com "o melhor".  
 
Não sei quando foi que começou essa mania, mas hoje só queremos saber do "melhor". 
 
Tem que ser:-
- o melhor computador, 
- o melhor carro, 
- o melhor emprego, 
- a melhor dieta, 
- a melhor operadora de celular, 
- o melhor tênis, 
- o melhor vinho.
 
Bom não basta.  
 
O ideal é:-
- ter o top de linha, 
- aquele que deixa os outros pra trás e que nos distingue, - nos faz sentir importantes, porque, afinal, estamos com "o melhor". 
 
Isso até que outro "melhor" apareça e é uma questão de dias ou de horas até isso acontecer.  
 
Novas marcas surgem a todo instante. 
 
Novas possibilidades também. 
 
E o que era melhor, de repente, nos parece superado, modesto, aquém do que podemos ter.
 
O que acontece, quando só queremos o melhor, é que passamos a viver inquietos, numa espécie de insatisfação permanente, num eterno desassossego.

Não desfrutamos do que temos ou conquistamos, porque estamos de olho no que falta conquistar ou ter. 
 
 
Cada comercial na TV nos convence de que merecemos ter mais do que temos.  
 
Cada artigo que lemos nos faz imaginar que os outros ( ah, os outros... ) estão vivendo melhor, comprando melhor, amando melhor, ganhando melhores salários. 
 
Aí a gente não relaxa, porque tem que correr atrás, de preferência com o melhor tênis.

Não que a gente deva se acomodar ou se contentar sempre com menos.

Mas o menos, às vezes, é mais do que suficiente.

Se não dirijo a 140, preciso realmente de um carro com tanta potência?

Se gosto do que faço no meu trabalho, tenho que subir na empresa e assumir o cargo de chefia que vai me matar de estresse porque é o melhor cargo da empresa?

E aquela TV de não sei quantas polegadas que acabou com o espaço do meu quarto?

O restaurante onde sinto saudades da comida de casa e vou porque tem o "melhor chef"? 
 
 
Aquele xampu que usei durante anos tem que ser aposentado porque agora existe um melhor e dez vezes mais caro?

O cabeleireiro do meu bairro tem mesmo que ser trocado pelo "melhor cabeleireiro"?
 
Tenho pensado no quanto essa busca permanente do melhor tem nos deixados ansiosos e nos impedido de desfrutar o "bom" que já temos.

A casa que é pequena, mas nos acolhe.

O emprego que não paga tão bem, mas nos enche de alegria.

A TV que está velha, mas nunca deu defeito.

O homem que tem defeitos ( como nós ), mas nos faz mais felizes do que os homens "perfeitos".

As férias que não vão ser na Europa, porque o dinheiro não deu, mas vai me dar à chance de estar perto de quem amo...

O rosto que já não é jovem, mas carrega as marcas das histórias que me constituem.

O corpo que já não é mais jovem, mas está vivo e sente prazer.

Será que a gente precisa mesmo de mais do que isso?

Ou será que isso já é o melhor e na busca do "melhor" a gente nem percebeu?
 
 
"Sofremos demasiadamente pelo pouco que nos falta e alegramo-nos pouco pelo muito que temos."
 
Shakespeare. 

 

Leila Ferreira é uma jornalista mineira com mestrado em Letras e doutora em Comunicação, em Londres.
 
Apesar disso, optou por viver uma vidinha mais simples, em Belo Horizonte...
 
Leila Ferreira