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quarta-feira, 30 de abril de 2014

Sombra Amigável - Ermance Dufaux




Sombra Amigável

“Pois nada há secreto que não haja de ser descoberto, nem nada oculto que não haja de ser conhecido e de aparecer publicamente”. 

(S. Lucas, 8:16 e 17, O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO – capítulo XXIV – item 2)

A sombra designa “o outro lado” do ser humano, aquele em que vige a escuridão. 

Comumente destacamos a sombra negativa nos ambientes educativos da doutrina.

Convém, porém, uma atenção à sombra positiva, que são nossos potenciais e talentos ainda não expressados ou descobertos. 

Em meio a essa escuridão da vida inconsciente existe muita sabedoria e riqueza ainda não exploradas.

Escutando nossos sentimentos e o que eles têm a nos ensinar sobre nós mesmos, estaremos entrando em contato com esse “material” reprimido no inconsciente, com todas as habilidades instintivas que nos asseguram a Herança inalienável de Filhos do Altíssimo em Sua Obra magnânima.

Escutar sentimentos é aceitá‐los. 

Aceitação quer dizer pensar sobre eles.

Habitualmente exageramos a colocação:-
- “Não quero nem pensar nisso!”, referindo‐nos a questões desagradáveis do mundo íntimo. 

Os sentimentos são os principais canais de conexão emitindo constantes mensagens do inconsciente.

Quando usamos a expressão sentimentos mal resolvidos, estamos tratando de sentimentos não aceitos ou negados pela consciência e reprimidos para o inconsciente por alguma razão particular.

A sombra originou‐se basicamente em função dessa relação insatisfatória com nosso poder de sentir e os arquivou em forma de culpas, desejos estagnados, bloqueios, traumas, medos, criando todo um complexo psíquico que, em muitos lances, são fatores geradores das psicopatologias, desde as mais toleráveis até as mais severas.

Ao longo dos últimos milênios (aproximadamente quarenta mil anos, dependendo da história individual), o que mais fizemos foi negar e temer nossos sentimentos — um fato natural na trajetória evolutiva da animalidade para a hominilidade.

O medo de sentir e do que sentimos acompanha‐nos desde o momento em que começamos a tomar consciência desse mecanismo biopsíquico‐emocional‐ espiritual.

Ainda hoje, esconder o que se sente, é uma conduta social comum e até necessária para a maioria das pessoas.

O mundo, no entanto, prepara‐se para o século do amor vivido e sentido.

A pergunta mais formulada em todas as latitudes neste momento é:-
- Como está você? 

E o interesse por uma resposta que fale de sentimentos é eminente ; tende a tornar‐se um hábito.

Estamos com enorme necessidade de falar do que sentimos e saber com mais clareza sobre o mundo das emoções, embora ainda temerosos de suas consequências.

Quando digo “sou minha sombra” não significa que tenha que viver conforme sua orientação. 

Apenas admiti‐la, entender suas mensagens.

A sombra só é ameaça quando não é reconhecida. 

Só pode ser prejudicial quando negligenciamos identificá‐la com atenção, respeito e afabilidade.

“É importante para a meta da individuação, isto é, da realização do si mesmo, que o indivíduo aprenda a distinguir entre o que parece ser para si mesmo e o que é para os outros. 

É igualmente necessário que conscientize seu invisível sistema de relações com o inconsciente, ou seja, com anima, a fim de poder diferenciar‐se dela. 

No entanto, é impossível que alguém se diferencie de algo que não conheça” 
(THE COLLECTED WORKS OF C. G. JUNG (CW) – 17 vol. VII par. 28).

Essa colocação do Doutor Jung é clara. 

Escutar sentimentos é a primeira lição na nossa educação espiritual para o autoamor. 

Amaremos a nós mesmos somente quando deixarmos de culpar os outros pelas nossas dores e desacertos e tivermos a coragem de perscrutar o íntimo, interrompendo o fluxo das projeções e fugas ainda ignoradas nas nossas atitudes.

Recebemos contínuos “chamados” do inconsciente através do que sentimos.

Uma análise atenta de nossos impulsos emotivos e da nossa “reação afetiva” a tudo que nos cerca levar‐nos á a entender com exatidão as “reclamações” do psiquismo profundo.

Nessa investigação da alma encontraremos indicativas seguras no entendimento das mais ocultas raízes de nossos conflitos. 

Percorreremos caminhos mentais até então incognoscíveis.

Igualmente, descobriremos valores adormecidos que solicitam nossa criatividade para desenvolvê‐los a contento. 

Entretanto, somente daremos importância às mensagens da sombra quando nos relacionarmos amigavelmente com ela.

O processo de ouvir a voz do inconsciente através dos sentimentos passa por algumas etapas na alfabetização do sentir. 

 Imprescindível o autorrespeito. 

O que sentimos é indiscutível, individual, é a nossa forma de viver a vida. 

Com isso não devemos admitir que os apelos do coração devam ser seguidos como brotam. 

Muito menos supô‐los a expressão da Verdade. 

Apenas tenhamos respeito por nós sem reprimendas e condenações, procurando compreender os recados do coração.

Havendo respeito, instaura‐se o clima da serenidade, da ausência de conflitos e batalhas interiores. 

Somente serenos vamos conseguir uma comunicação sem interferências. 

É o silêncio interior. 

O fio que nos leva ao intercâmbio produtivo. 

Aprender a linguagem dos sentimentos exige meditação e atenção. 

Separar a “imagem programada” pela educação social da “imagem idealizada” é um trabalho lento.

Diferenciar o que pensam que sou daquilo que penso que sou é o caminho para se chegar ao que sou verdadeiramente.

Utilizar indagações. 

A sombra adora dar respostas. 

Nossa tarefa será discernir no tempo a natureza dessas respostas. 

No início elas serão confusas, enganosas, talvez decepcionantes.

Na medida em que se dilata esse exercício, a intuição vai aclarando a capacidade de perceber e sentir o que nos convém. 

Teremos a sensação do melhor caminho, das melhoras escolhas, do que queremos. 

É o início da identificação com o projeto singular do Criador a nosso respeito.

O Doutor Jung estipulou:-
- “As pessoas, quando educadas para enxergarem claramente o lado sombrio de sua própria natureza, aprendem ao mesmo tempo a compreender e amar seus semelhantes” 
(THE COLLECTED WORKS OF C. G. JUNG (CW) – 16 vol. VII par. 310).

Ao conquistarmos a sombra de maneira amigável, criaremos uma relação de paz com a vida íntima e, nesse ponto, as projeções não serão mecanismos defensivos contra nossas imperfeições, mas reflexos da bondade e harmonia que habitarão a vida mental. 

Nessa postura mental amaremos a vida com mais ardor. 

Será muito mais interessante olhar o nosso próximo, senti‐lo e perceber a grandeza da vida que nos cerca.

A Lei Divina contida na fala de Jesus é determinante:-
- Pois nada há secreto que não haja de ser descoberto. 

O crescimento pessoal e a felicidade incluem a missão de explorar as riquezas do inconsciente. 

Escutar sentimentos é a arte de mergulhar na vida profunda e descobrir o manancial de força e beleza que possuímos.

Amigo querido das lides espiritistas, nos instantes de tormenta ocasionados pelos efeitos de tuas imperfeições, busca Deus na oração e escuta tua alma. 

Ouve os ditames suaves que ela te envia. 

Não os julgue agora e enquanto meditas.

Indaga‐te:-
- Que fazer ante os impulsos menos felizes? 

Como agir para mudar? 
 
Ouve! 

Ouve a resposta em ti mesmo! 

Escuta teus sentimentos! 

Ora novamente, aquieta os raciocínios e escuta os "sons” dos sentimentos nobres que te arrimam.

Estás agora em estado alterado de consciência. 

Tua sombra avizinha. 

Teu self permanece em vigília. 

Tonifica‐te com as energias revigorantes.

Agora agradece o dom da vida... 

O corpo... 

A beleza de pertencer a ti mesmo.

A presente existência é a tua oportunidade. 

É a tua ocasião de libertar.

Recomeça quantas vezes se fizerem necessárias. 

Perdoa‐te pelos insucessos.

Recorda as muitas vitórias e preenche‐te com o labor.

Algumas respostas para serem compreendidas solicitam o concurso do tempo.

Prossegue sem ilusões de conforto. 

Deseja o sossego interior e acredita merecê‐ lo, mas não o confunda com facilidades transitórias.

Teus sentimentos:-
- A realidade de tua posição espiritual. 

Por eles sabes de teu valor e de tuas necessidades.

Não te agrida quando sentires o que não gostarias. 

Ama‐te ainda mais nesses momentos. 

 Aceita‐te. 

Diz:-
- Eu aceito minha imperfeição. 

Senti‐la não quer dizer que eu seja menor.

Eu aceito minhas particularidades. 

Eu me amo como sou e não me abandonarei porque somente eu posso me resgatar.

Agora vai cumprir teu dever – esse sublime “analgésico mental”. 

Em outros instantes, fora da tormenta mental, medita sobre aquilo que te incomodou.

Medita sempre sobre tuas imperfeições e Teu Pai, secretamente, na acústica do ser, providenciar‐te‐á os recursos abundantes para tua cura. 

Deus jamais te esquece. 

Acredite nisso e sente o amparo em teu favor. 

O universo está a teu favor.

Acredita! 

 Espírito Ermance Dufaux
Wanderley S. de Oliveira

Livro:- "Escutando Sentimentos"
 http://www.luzespirita.org.br

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Livro: Escutando Sentimentos








Livro: Escutando Sentimentos
 
Wanderley de Oliveira

"O homem pode suavizar  ou aumentar o amargor de suas provas, conforme o modo por que encare a vida terrena."

O Evangelho Segundo o Espiritismo - capítulo V

Pedagogia da Felicidade


"Nunca a humanidade mendigou tanta atenção e afeto.

Uma crise de autodesvalor, sem precedentes, assola multidões. Não se sentindo amadas, almas sem conta não conseguem superar os dramas da rejeição e os tormentos da solidão.

 O sentimento de indignidade é o piso emocional das feridas seculares que causam a sensação de inferioridade, abandono e falência.

Agrilhoado pela ilusão do menor esforço, o homem busca a ilusão como sinônimo de paz.

Anseia-se pela felicidade como se tal estado da alma pudesse ser fruto da aquisição de facilidades e privilégios.

Somente com o tratamento lento e perseverante de tecer o manto protetor da segurança íntima, utilizando o fio do auto-amor, poderá renovar essa condição interior do ser humano.

Educar pra ser feliz, é dar sentido à existência!



A primeira condição para se estabelecer um sentido à vida é o exercício da singularidade. 

Descobrir seus próprios caminhos, lutar pelos seus sonhos, celebrar sua diversidade aceitando suas particularidades, participar da vida, se desligar de uma vida centrada no ideal e realizar-se no real.

A vida em si mesma não tem um sentido único, algo que se possa definir através de padrões ou princípios filosóficos.  

Esse 'sentido' é construído pelas percepções individuais sob as lentes da singularidade humana que, a partir de diretrizes gerais, capacita-se em seguir as suas rotas intuitivas.

 


Mas, nas frentes de serviços doutrinários, esse exercício de singularidade tem se perdido em meio aos padrões conceituais do que seja ‘certo e errado’.

 Somos embarcados no movimento da coletivização e uniformidade de conceitos, dando margem ao escasseamento do estímulo para a diversidade e a individuação. 

Nesse contexto, frequentemente, ideias criativas e condutas diferentes são acolhidas com desdém e ensejam a indiferença.

Singularidade é saber qual música toca em nosso íntimo.

É se permitir ouvi-la e respeitá-la!
 

 

O segundo ponto essencial na construção do sentido é desenvolver a habilidade de superar o sofrimento.

O prazer de viver surge quando efetivamente entendemos as razões de nossas dores e como superá-las.

É precioso entender que dor é diferente de sofrimento.

A dor existe para incitar a inteligência na descoberta de soluções em nós mesmos.

O sofrimento é a resistência que criamos para não sentir a dor.

A grande lição nesse passo é descobrir as causas de um e do outro.

Outro ponto importante no reconhecimento da dor e/ou sofrimento é perceber a dificuldade que temos em assumir a nossa fragilidade.

 Quanta dificuldade em admitir nossa falibilidade!

Sentimo-nos pequenos e incompetentes a nos depararmos com as batalhas não vencidas e/ou com as imperfeições não superadas.

Porta aberta para o sofrimento entrar e fazer morada!

Olho Vivo !!!


 


Nesse caminho da pedagogia de felicidade deve-se ter como objetivo o auto-amor e a construção do ‘olhar de impermanência’.

Quem se ama dispensa a imponência das máscaras. 

É excelente companhia pra si mesmo, desapega-se do controle  e descobre o seu valor pessoal na Obra da Criação.

Nesse sentido é importante:-
. Saber quem somos e o que a vida espera de nós em nossa missão particular (exercício de singularidade).

. Superar as mensagens de desvalor e incapacidade vindas do inconsciente.

. Conhecer os mecanismos punitivos da culpa e como superá-los.

. Desenvolver a autonomia.

É  imperioso aprendermos a investigar o coração em busca do ‘mapa singular’ do Pai à nossa jornada de aprimoramento.

Quem se ama, vive a maravilhosa experiência de sentir brotar em sua alma, espontaneamente, uma cumplicidade poderosa com a vida.


 


Beijocas carinhosas no coração de todos 


sexta-feira, 22 de março de 2013

Dramas ocultos, um novo conceito de responsabilidade social





Posted: 14 Mar 2013 03:02 AM PDT

Os serviços de assistência solidária são canais de alívio e misericórdia perante as dores e os testemunhos das calamidades sociais. 

Muitos buscam a sopa e o remédio nos encontros socorristas, outros solicitam agasalho e alimento. 

A caridade material em um mundo de provas e expiações é bênção de amor e solidariedade que anima e conforta.

Surgem, também, as calamidades ocultas. 

Aquelas que não são ditas e ninguém vê. 

Outro gênero de fome e doença. 

Calamidades que raramente ganham destaque em razão da complexidade de sua realidade.

- Suicidas potenciais; 
- Deprimidos arredios; 
Pais fragilizados ante o peso dos deveres da família; 
- Filhos prestes a se consorciar com os portais das sombras morais; 
- Juízes dolorosamente atormentados pela culpa de sentenças interesseiras; 
- Políticos à beira de vender sua honra; 
- Mulheres enredadas em lamentável amargura pela ausência de afeto correspondido; 
- Homens vilipendiados pela tortura dos pensamentos ante as fantasias libidinosas; 
- Corações partidos pela dor da separação de qualquer natureza; 
- Pessoas que desistiram de lutar e progredir, 
- Escravas de obsessões de amplo leque; 
- Patrões materialistas dipostos a encetar golpes lesivos; 
- Empregados revoltados a ponto de estabelecerem demandas injustas; 
- Jovens desorientados quase se rendendo ao encontro macabro com as drogas; 
- Idosos arrependidos que não se perdoam.

São essas e muitas outras calamidades sutis que atormentam mentes e enfraquecem corações. 

Fomes e doenças que exigem medidas de auxílio mais conscientes e devotadas.

Nossas instituições de amor têm um desafio pela frente:-
- Uma campanha para que a caridade, que tanto estimulamos, possa, igualmente, beneficiar esses dramas ocultos da alma.

Para isso, nos preparemos por meio da autorrenovação, do estudo e da disposição sincera de servir e amar sem condições. 

Abramos espaços largos para o socorro fraterno a quantos recorrerem em busca de orientação e consolo, e dessa forma estaremos espalhando a bênção da misericórdia e da bondade.

Entretanto, saibamos usar de discernimento e alruísmo, empatia e abnegação para aprender a descobrir qual é a verdadeira calamidade que atinge a quantos nos pedem “pão e água”.

Um novo e mais emergente conceito de responsabilidade social será necessário para corresponder aos tempos novos das sociedades. 

As dores imperceptíveis e ocultas causam mais destruição que aquelas que os olhos conseguem alcançar.

Jesus, Expressão Sublime da Generosidade, em meio à multidão atormentada, indagou:-
- “Quem tocou nas minhas vestes?” 

Uma mulher sofrida e virtuosa, que aguardava em silêncio as provas dilacerantes, manifestou a verdade sobre sua dor e o Mestre a curou.

No burburinho da massa, nos sorrisos enfeitados da falsa alegria e nas passarelas do realce humano há muita fragilidade e sofrimento à espera da nossa sensibilidade. 

Em muitos casos, basta dizer, de alguma forma:-
- Conte comigo!



Livro Diferenças Não São Defeitos
 cap. 4
 Espírito Ermance Dufaux 
 psicografia de Wanderley Oliveira.