quarta-feira, 15 de abril de 2015

Serenando o Coração


Serenando o Coração



Salomão, no Livro dos Provérbios, escrito no ano 510 AC, deixou-nos palavras dignas de reflexão:-
- “Se a sabedoria entrar no teu coração, e a ciência agradar à tua alma, a reflexão te guardará e a prudência te conservará, a fim de seres livre do caminho mal...”

Serenar o coração nas ocasiões difíceis nos fornecerá condições para não abandonarmos a lucidez e o entendimento que somente aquele que anda no caminho do bem e da integridade possui.
Ao contrário, quem se desvirtua e tem prazer em praticar o mal, bem depressa será visitado pelas desventuras que o mal provoca. 
Não consegue ter paz aquele que envereda por caminhos que promovem a desarmonia alheia.

O coração pacífico é detentor de existência profícua.

Nada lhe promove o ódio ou a revolta. 
Pensando nisso, acalmemos o animo, eliminemos a ansiedade, sabendo que os caminhos retos nos trazem indicações a serem seguidas. 
Existe um conhecimento, o qual, se estudado, fornecer-nos-á forças para vencermos todas as agruras da vida, pois virá o entendimento do passando atuando no presente e nos chamando a preparar um bom futuro. 
Ei-lo:-
- Tudo de ruim ou de bom que acontece na vida do ser humano, vem fazendo parte de seu carma secular, nascido desde o momento em que foi criado.

Léon Denis, em relação ao carma, em seu livro Depois da Morte, no capítulo em que analisa o Budismo, assim se expressa:-
- “Designa-se por carma toda soma de méritos ou de deméritos adquiridos pelo ser. 
O carma é para este, em todos os instantes de sua evolução, o ponto de partida do futuro, o motor de toda justiça distributiva”. 
Mais adiante, grafa a expressão de peso, de Sinnet:-
- “Se as palavras e ações de um homem obedecem a um pensamento puro, a liberdade segue-o como uma sombra. 
O ódio jamais foi apaziguado pelo ódio, pois não é vencido senão pelo amor”.

Guiar-nos por essa verdade é sinônimo de vida sadia. 



Maria Nilceia 

Nunca estamos Desamparados


Nunca estamos Desamparados


"Nunca te deixarei, nem te desampararei.” 
(Paulo – Hebreus, 13.5) 

A Providência Divina sábia e generosa como é nunca desampara criatura alguma. 

Não importa em que situação estamos, sempre os emissários de Deus estarão nos observando e, na proporção dos nossos esforços e merecimentos, promovem o socorro de que temos necessidade. 

A tempestade das decepções nos atingiu os sonhos e as expectativas, derramando o fel da tristeza e do sofrimento. 

Não percamos as esperanças, pois muito mais do que imaginamos os Benfeitores Espirituais velam por nós. 

No dia seguinte tudo pode mudar. 

A ingratidão oriunda de familiares queridos nos colheu de surpresa pelo caminho, firmemos a convicção de que agem sem pensar e que ainda não perceberam o mal que estão nos causando. 

De um momento para outro podem alterar a conduta. 

O desemprego nos roubou a oportunidade de ganhar o pão de cada dia, nos repletando de aflições e incertezas, permaneçamos determinados na luta quotidiana em busca de novas oportunidades de trabalho. 

O minuto seguinte é imprevisível. 

Entes amados nos deixaram, viajando pelo comboio da morte, abrindo enorme lacuna de saudades em nosso coração, continuemos a viver com otimismo, pois que a morte só mata o corpo e dia virá que novamente os reencontraremos nas paragens espirituais. 

A vida na Terra é somente uma etapa da vida total. 

O cônjuge que dividia seus dias conosco, repentinamente decidiu por seguir outras direções, deixando-nos na solidão, prossigamos confiando no poder da nossa resistência, visando recomeçar a vida contando com nossas próprias forças. 

A ilusão com frequência anestesia as mentes frágeis. 

Os filhos que tanto amamos e a quem dedicamos a maior parte das nossas horas, acabaram por se revelarem viciosos, indiferentes e acomodados, não os abandonemos, pois que os “sãos não precisam de médico”. 

Muitos seres humanos adultos, ainda são crianças no comportamento. 

Os amigos que sempre enfeitaram nossa casa em dias festivos e regados a iguarias, nos vendo mais pobres e em dificuldades materiais, bateram em retirada, avancemos destemidos mesmo assim, pois que em realidade eram amigos das nossas posses ou da nossa conta bancária equilibrada. 

A amizade sincera se prende ao coração e não aos recursos financeiros. 

A doença pertinaz e incurável tomou conta do nosso corpo, prostrando-nos em leitos de dor, lembremos que nos instantes mais difíceis e intrincados fazemos as reflexões mais profundas e sábias acerca da finalidade da nossa vida na Terra. 

O corpo transitório é somente a vestimenta do Espírito imortal. 

A existência dura e sofrida que levamos nos coloca seguidamente diante da humilhação e da dependência alheia, não desanimemos, pois que é muito melhor ser humilhado que exercitar o orgulho e o egoísmo, essas chagas terríveis que atrofiam nossos mais belos e sublimes sentimentos. 

Na vida tudo passa. 

Nunca te deixarei, nem te desampararei, afirma o Apóstolo Paulo, em carta aos Hebreus, e, naturalmente, por consequência afirma a nós também que após a tempestade vem a bonança e, depois das trevas da noite espessa, surgem os raios luminosos do sol anunciando o alvorecer de um novo dia. 

Assim, onde estivermos, colhendo sejam quais acontecimentos forem, dentro da nossa realidade, estaremos sempre sob os olhares carinhosos e ternos da Providência Divina. 

Confiemos no socorro que sempre chega e prossigamos... 


Artigo de Waldenir Aparecido Cuin
wacuin@ig.com.br
Votuporanga, SP (Brasil)
Fonte:- Revista O Consolador 

terça-feira, 14 de abril de 2015

A Alma Também


A Alma Também

Casas de saúde espalham-se em todas as direções com o objetivo de sanar as moléstias do corpo e não faltam enfermos que lhe ocupem as dependências.

Entretanto, as doenças da alma, não menos complexas, escapam aos exames habituais de laboratório e, por isso, ficam em nós, requisitando a medicação, aplicável apenas por nós mesmos.

Estimamos a imunização na patologia do corpo.

Será ela menos importante nos achaques do espírito?

Surpreendemos determinada verruga e recorremos, de imediato, à cirurgia plástica, frustrando calamidades orgânicas de extensão imprevisível.

Reconhecendo uma tendência menos feliz em nós próprios, é preciso ponderar igualmente que o capricho de hoje, não extirpado, será hábito vicioso amanhã e talvez criminalidade em futuro breve.

Esmeramo-nos por livrar-nos do stress capaz de esgotar-nos as forças. 
 
Tratemos também de nossa feição temperamental para que a impulsividade não nos induza à ira fulminatória.

Tonificamos o coração, corrigindo a pressão arterial ou ampliando os recursos das coronárias a fim de melhorar o padrão de longevidade. 
 
Apuremos, de igual modo, o sentimento para que as emoções desregradas não nos precipitem nos desvãos passionais em que se aniquilam tantas vidas preciosas.

Requintamo-nos, como é justo, em assistência dentária na proteção indispensável. 
 
Empenhemo-nos, de semelhante maneira, na triagem do verbo, para que a nossa palavra não se faça chibata de sombra.

Defendemos o aparelho ocular contra a catarata e o glaucoma. 
 
Purifiquemos igualmente o modo de ver. 

Preservamos o engenho auditivo contra a surdez. 
 
No mesmo passo, eduquemos o ouvido para que aprendamos a escutar ajudando.

A Doutrina Espírita é instituto de redenção do ser para a vida triunfante. 
 
A morte não existe. 
 
Somos criaturas eternas. 
 
Se o corpo, em verdade, não prescinde de remédio, a alma também.



Livro:- "Entre Irmãos de Outras Terras" 
André Luiz
 Francisco Cândido Xavier 

Os Espíritos se alimentam no Mundo Espiritual ?


Os Espíritos se alimentam no Mundo Espiritual ?

– Como se verifica a alimentação dos Espíritos desencarnados? 

– Encarecendo a importância da respiração no sustento do corpo espiritual, basta lembrar a hematose no corpo físico, pela qual o intercâmbio gasoso se efetua com segurança, através dos alvéolos, nos quais os gases se transferem do meio exterior para o meio interno e vice-versa, atendendo à assimilação e desassimilação de variadas atividades químicas no campo orgânico. 
 
O oxigênio que alcança os tecidos entra em combinação com determinados elementos, dando, em resultado, o anidrido carbônico e a água, com produção de energia destinada à manutenção das províncias somáticas. 

Estudando a respiração celular, encontraremos, junto aos próprios arraiais da ciência humana, problemas somente equacionáveis com a ingerência automática do corpo espiritual nas funções do veículo físico, porque os fenômenos que lhe são conseqüentes se graduam em tantas fases diversas que o fisiologista, sem noções do Espírito, abordá-los-á sempre com a perplexidade de quem atinge o insolúvel. 
 
Sabemos que para a subsistência do corpo físico é imprescindível a constante permuta de substâncias, com incessante transformação de energia. 

Substância e energia se conjugam para fornecer ao carro fisiológico os recursos necessários ao crescimento ou à reparação do contínuo desgaste, produzindo a força indispensável à existência e os recursos reguladores do metabolismo. 

O alimento comum ao corpo carnal experimenta, de início, a digestão, pela qual os elementos coloidais indifusíveis se transubstanciam em elementos cristalóides difusíveis, convertendo-se ainda as matérias complexas em matérias mais simples, acessíveis à absorção, a que se sucede a circulação dos valores nutrientes, suscetíveis de aproveitamento pelos tecidos, seja em regime de aplicação imediata, seja no de reserva, destinando-se os resíduos à expulsão natural. 

A ciência terrena não desconhece que o metabolismo guarda a tendência de manter-se em estabilidade constante, tanto assim que, reconhecidamente, a despesa de oxigênio e o teor de glicemia em jejum revelam quase nenhuma diferença de dia para dia. 

É que o corpo espiritual, comandando o corpo físico, sana espontaneamente, quando harmonizado em suas próprias funções, todos os desequilíbrios acidentais nos processos metabólicos, presidindo as reações do campo nutritivo comum. 

Não ignoramos, desse modo, que desde a experiência carnal o homem se alimenta muito mais pela respiração, colhendo o alimento de volume simplesmente como recurso complementar de fornecimento plástico e energético, para o setor das calorias necessárias à massa corpórea e à distribuição dos potenciais de força nos variados departamentos orgânicos. 
 
Abandonado o envoltório físico na desencarnação, se o psicossoma = (perispirito) está profundamente arraigado às sensações terrestres, sobrevém ao Espírito a necessidade inquietante de prosseguir atrelado ao mundo biológico que lhe é familiar e, quando não a supera ao preço do próprio esforço, no auto-reajustamento, provoca os fenômenos da simbiose psíquica, que o levam a conviver, temporariamente, no halo vital daqueles encarnados com os quais se afine, quando não promove a obsessão espetacular. 

Na maioria das vezes, os desencarnados em crise dessa ordem são conduzidos pelos agentes da Bondade Divina aos centros de reeducação do Plano Espiritual, onde encontram alimentação semelhante à da Terra, porém fluídica, recebendo-a em porções adequadas até que se adaptem aos sistemas de sustentação da Esfera Superior, em cujos círculos a tomada de substância é tanto menor e tanto mais leve quanto maior se evidencie o enobrecimento da alma, porquanto, pela difusão cutânea, o corpo espiritual, através de sua extrema porosidade, nutre-se de produtos sutilizados ou sínteses quimio-eletromagnéticas, hauridas no reservatório da Natureza e no intercâmbio de raios vitalizantes e reconstituintes do amor com que os seres se sustentam entre si. 

Essa alimentação psíquica, por intermédio das projeções magnéticas trocadas entre aqueles que se amam, é muito mais importante que o nutricionista do mundo possa imaginar, de vez que, por ela, se origina a ideal euforia orgânica e mental da personalidade. 
 
Daí porque toda criatura tem necessidade de amar e receber amor para que se lhe mantenha o equilíbrio geral. 

De qualquer modo, porém, o corpo espiritual com alguma provisão de substância específica ou simplesmente sem ela, quando já consiga valer-se apenas da difusão cutânea para refazer seus potenciais energéticos, conta com os processos da assimilação e da desassimilação dos recursos que lhe são peculiares, não prescindindo do trabalho de exsudação dos resíduos, pela epiderme ou pelos emunctórios normais, compreendendo-se, no entanto, que pela harmonia de nível, nas operações nutritivas, e pela essencialização dos elementos absorvidos, não existem para o veículo psicossomático determinados excessos e inconveniências dos sólidos e líquidos da excreta comum.



Fonte - EVOLUÇÃO EM DOIS MUNDOS 
André Luiz
Francisco Cândido Xavier

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Espíritos da Luz




Espíritos da Luz

“Parafraseando a luminosa definição do apóstolo Paulo, em torno da caridade, no capítulo treze da primeira epístola aos corintios, ousaremos aplicar os mesmos conceitos aos Espíritos benevolentes e sábios que nos tutelam a evolução. 

Ainda que falássemos a linguagem das trevas e não possuíssemos leve raio de entendimento — não passaríamos para eles de pobres irmãos necessitados de luz. 

Ainda que nos demorássemos na vocação do crime, caindo em todas as faltas e retendo todos os vícios, a ponto de arrojar-nos, por tempo indeterminado, nos últimos despenhadeiros do mal, para nosso próprio infortúnio — não seríamos para eles senão criaturas infelizes, carecentes de amor. 

Ainda que dissipássemos todas as nossas forças no terreno da culpa e dedicássemos a vida ao exercício da crueldade, sem a mínima noção do próprio dever — isso seria para eles tão-somente motivo a maior compaixão.

Os Espíritos da Luz são pacientes.

Em todas as manifestações são benignos.

Não invejam.

Não se orgulham.

Não mostram leviandade.

Não se ensoberbecem.

Não se portam de maneira inconveniente.

Não se irritam.

Não são interesseiros.

Não guardam desconfiança.

Não folgam com a injustiça, mas rejubilam-se com a verdade.

Tudo suportam.

Tudo creem.

Tudo esperam.

Tudo sofrem. 

A caridade deles nunca falha, enquanto que para nós, um dia, as revelações gradativas terão fim, os fenômenos cessarão e as provas terminarão, por desnecessárias. 

Por agora, de nós mesmos, conhecemos em parte e em parte imaginamos; entretanto, eles, os emissários do Eterno Bem, acompanham-nos com devotamento perfeito, sabendo que, em matéria de espiritualidade superior, quase sempre ainda somos crianças, falamos como crianças, pensamos quais crianças e ajuizamos infantilmente. 

Estão certos, porém, de que mais tarde, quando nos despojarmos das deficiências humanas, abandonaremos, então, tudo o que vem a ser pueril. 

Verificaremos, assim, a grandeza deles, como a víssemos retratada em espelho, confrontando a estreiteza de nosso egoísmo com a imensurabilidade do amor com que nos assistem. 

Conforte-nos, pois, reconhecer que, se ainda demonstramos fé vacilante, esperança imperfeita e caridade caprichosa, temos, junto de nós, a caridade dos mensageiros do Senhor, que é sempre maior, por não esmorecer em tempo algum." 

 Livro:- “Seara dos Médiuns”
 Emmanuel
Francisco Cândido Xavier

Fonte:- Site "Fada das Rosas"

A Educação Proibida




A Educação Proibida
 

domingo, 12 de abril de 2015

Our Story In 2 Minutes



Our Story in 2 Minutes
 

O que mais Sofremos


O que mais Sofremos

O porquê do sofrimento:-
- Não é a dificuldade. 

É o desânimo em superá-la.

- Não é a provação. 

É o desespero diante do sofrimento.
 
- Não é a doença. 

É o pavor de recebê-la.

- Não é o parente infeliz. 

É a mágoa de tê-lo na equipe familiar.

- Não é o fracasso. 

É a teimosia de não reconhecer os próprios erros.

- Não é a ingratidão. 

É a incapacidade de amar sem egoísmo.

- Não é a própria pequenez. 

É a revolta contra a superioridade dos outros.

- Não é a injúria. 

É o orgulho ferido.

- Não é a tentação. 

É a volúpia de experimentar-lhe os alvitres.

- Não é a velhice do corpo. 

É a paixão pelas aparências.

Na solução de qualquer problema, o pior problema é a carga de aflição que criamos, desenvolvemos e sustentamos contra nós.

Livro:- Passos da Vida
 Lição nº 18
 Página 61
  Albino Teixeira
Francisco Cândido Xavier

sábado, 11 de abril de 2015

Julgamento no Mundo Espiritual



Julgamento no Mundo Espiritual
 

Conhecimento Inato :- Nós já nascemos sabendo


Conhecimento Inato :- 
- Nós já nascemos sabendo

Desde que o chamado "espírito humano", discutido por milênios pelos filósofos, foi varrido para debaixo do tapete pela ciência moderna, os pesquisadores têm-se debatido com essa dúvida cruel. 

Afinal, como explicar as diferenças de conhecimento e as habilidades inatas de cada pessoa?
 
A explicação clássica da ciência moderna é a chamada "tabula rasa":-
- Todos os humanos nasceríamos como uma folha em branco, na qual nossos conhecimentos, talentos e inclinações seriam escritas a partir das nossas experiências e vivências.

Essa idéia moveu mais de um sistema ditatorial, na tentativa de "educar" as crianças de um país segundo os devaneios dos próprios ditadores.

Sem contar o bom-senso, tanto esses "experimentos políticos" em larga escala, quanto os experimentos de laboratório, contradizem frontalmente o princípio da "folha em branco". 

Tanto que os cientistas têm retornado para algo absolutamente metafísico:-
- O chamado "conhecimento pré-experiência", um tipo de conhecimento que o ser humano adquiriria, de alguma forma não compreendida, antes mesmo de ter qualquer experiência.

Conhecimento inato
Agora, neurocientistas do Projeto Cérebro Azul, um gigantesco projeto de pesquisas europeu que está tentando reproduzir o cérebro humano em um computador, afirmam ter descoberto provas do chamado "conhecimento inato".

O grupo descobriu que os neurônios fazem conexões independentemente da experiência de uma pessoa.

Tem sido aceito há bastante tempo que os circuitos neuronais se formam e se reforçam por meio da experiência, um fenômeno conhecido como plasticidade sináptica. 

Mas o Dr. Henry Markram e seus colegas agora anunciaram "evidências radicalmente novas", segundo eles, de que esta pode não ser a história toda. 

O grupo demonstrou que pequenos conjuntos de neurônios piramidais no neocórtex se interconectam de acordo com regras relativamente simples e "imutáveis".

Blocos de conhecimento
Os aglomerados neuronais agora descobertos contêm, em média, 50 neurônios. 

Os cientistas os veem como blocos básicos de conhecimento, que contêm em si mesmos um tipo de conhecimento fundamental e inato - por exemplo, representações de regras básicas de funcionamento do mundo físico. 

O conhecimento adquirido - nossa memória - envolveria sempre a combinação desses blocos construtores fundamentais, reunidos para formar um nível mais alto do sistema.

"Isto pode explicar porque todos nós compartilhamos percepções similares da realidade física, enquanto nossas memórias refletem nossa experiência individual," diz Markram.

Segundo os pesquisadores, os princípios que governam a formação desses microcircuitos inatos é incrivelmente simples. 

Basicamente, quando dois neurônios estão simultaneamente conectados a um terceiro neurônio vizinho, a probabilidade de que eles também estejam interconectados é maior do que a média. 

Com base nessa observação, o grupo construiu um modelo estatístico de ocorrência dessas interconexões, que pode ser usado para estudar os fundamentos do cérebro.

Conhecimento pré-experiência
Quando os cientistas testaram os circuitos neuronais de diferentes ratos, todos apresentavam características similares. 

Ora, se os circuitos tivessem sido formados unicamente das experiências vividas pelos diferentes animais - como sugere a ideia da folha em branco - esses circuitos deveriam divergir significativamente uns dos outros. 

Desta forma, concluem, a conectividade neuronal deve de alguma forma ter sido programada anteriormente à experiência.

"Desde John Lock, há cerca de 400 anos, as pesquisas sobre como o cérebro aprende e se lembra têm sido guiadas pela crença de que nós começamos como uma folha em branco e então imprimimos nela memórias de cada nova experiência. 

A ideia de que a memória é como um Lego formado por blocos fundamentais de conhecimento abre uma porta inteiramente nova de pesquisas," afirma Markram.

Ressurreição do espírito?
A simulação do cérebro, e as tentativas de construção de cérebros artificiais estão agora, pela primeira vez, permitindo que os cientistas abordem diretamente a hipótese da "tabula rasa", passando da crença para os experimentos diretos. 

E esses primeiros resultados discordam da ideia que tem permeado a ciência durante todos esses séculos:-
- De que o homem é uma folha em branco na qual qualquer rabisco só é feito depois que ele tem consciência.

Não há dúvidas de que o conhecimento, no sentido mais usual do termo, o que inclui ler e escrever, reconhecer os amigos ou aprender um novo idioma, resultam de nossa experiência. 

Mas a equipe do Cérebro Azul demonstrou que uma porção do nosso conhecimento básico, em suas representações mais fundamentais, pode vir escrito de fábrica. 

Contudo, não será ainda a ressurreição do espírito, no sentido adotado pelos filósofos - os cientistas preferem dizer que o conhecimento está inscrito nos genes que dirigem a formação biológica do nosso corpo.

Mas a aceitação de um "conhecimento inato", pré-experiência, representa um avanço considerável para a desmistificação da crença na tábula rasa.



Fonte:- Diário da Saúde